Boa noite, meu nome é Korso Asclepius e, como talvez vocês já saibam – embora talvez não, são estarrecedoras as chances de que qualquer pessoa que frequentava este site até o ano passado tenham simplesmente o abandonado por agora – sou o que se pode chamar de um "linguista de fim de semana". E o que faz um linguista? Bom, basicamente ele estuda línguas. Sua formação, sua evolução, suas características peculiares. E, como linguista de fim de semana, resolvi dedicar um fim de semana a esta polêmica que está dando a volta na internet em 80 dias: o tal livro de português que ensina a falar errado.

Fareicomo Shakespeare e pularei para a conclusão óbvia: é tudo um exagero sem tamanho, uma verdadeira tormenta em copo de água. E, para iniciar esta defesa de tese em miniatura, comecemos pela evidência A: o texto.

Você pode estar se perguntando: "Mas eu posso falar 'os livro?'."
Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico. Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas pela norma culta como padrão de correção de todas as formas linguísticas. O falante, portanto, tem de ser capaz de usar a variante adequada da língua para cada ocasião