Este texto começou quando, metaforicamente falando, Bruno Guedes apareceu na minha sala e disse: "O aniversário do blog tá logo aí. Escreve um texto." A total falta de uma linha de raciocínio para tomar como ponto de partida me deixou meio atarantado, mas, se não me recordo mal, poucos de nossos textos tiveram alguma linha de raciocínio inicial. Logo, cabe a mim dar um desenvolvimento e conclusão a esse texto.

Me sinto tentado a dizer que um ano é um ano, e que há de mais nisso?, mas não é possível. Houve mais em um ano que um simples ciclo de 365 dias e uma volta completa em torno do Sol, pelo menos do nosso ponto de vista particular.

Penso que, quando começamos essa empreitada insana – quase literalmente, aliás –, não tínhamos muita gente pra nos ler. Talvez ninguém. Nossos textos inaugurais foram lidos talvez por um bando de gatos pingados e algumas máquinas de busca. Agora nós temos pelo menos um comentador semi-frequente, o ilustre Isaias Malta, e alguns vários leitores que devem ficar "na esquina" esperando alguma publicação.

Vejo também que, no início, éramos pouco menos do que figuras imaginárias com pouca ou nenhuma personalidade além de arquétipos semi-humorísticos. Ouso dizer que até o Token me surpreendeu, no sentido de que ele é menos calhorda e canastrão do que deveria ser. Temo que isso mudará em breve, entretanto...

Além disso, devo dizer que nossa própria sobrevivência por um ano é um marco. Embora a vida seja, em grande parte, contínua e dificilmente dividida em marcos definidos, nós, como seres que necessitam de explicações definidas, marcamos linhas bem definidas que limitam ou, ao contrário, libertam. De um certo ponto de vista, posso dizer que, se sobrevivemos a um ano disso, daqui pra frente não dá mais pra simplesmente desistir.

Expandindo a frase anterior: se houvéssemos desistido no início, ou mesmo há alguns meses atrás, poucos sequer notaríamos que falta alguma coisa nesse lugar onde antes estiveram um rapaz, três toupeiras e uma placa de papelão com senso de humor podre. Poderíamos até fazer uma analogia com aborto, mas... eu não vou fazer essa besteira. Digamos apenas que, do ponto onde chegamos, já não podemos simplesmente sair como se nada tivesse acontecido.

Assim, assumimos esse compromisso de manter os leitores devidamente saciados, ou pelo menos tentar e falhar, e com isso aprender a fazer melhor da próxima vez. Aliás, esse ano tentarei forçar o rapaz a dar mais espaço para os nossos autores menos publicados. Talvez um cronograma, ou um sistema de rotação. Sei lá.

Enfim, acho que já falei além do que devia. Nosso aniversário já passou, mas nunca é tarde demais para escrever sobre o assunto. A todos os que leram, obrigado pela atenção.