A despeito de meu exterior obeso e rabugento, eu sou um grande defensor das liberdades individuais, às vezes a níveis um pouco extremos, mas veremos isso um pouco mais tarde neste texto. Porque, antes de mais nada, eu vou fazer aquela "breve" introdução.

Liberdade é uma característica imprescindível para uma sociedade feliz. Acredite, mesmo que o povo adore que tomem as decisões por ele, sem as pequenas liberdades individuais não existe sequer a ilusão de uma felicidade. Poder tomar as próprias escolhas e saber que nada pode te impedir de fazê-lo é, sem dúvida, uma sensação incrível, e não é à toa que muitos consideram a maioridade legal um evento passível de comemoração. Mas, obviamente, toda moeda tem dois lados...

Seria muito fácil se qualquer pessoa pudesse fazer o que quer e só, sem nada demais para impedi-lo caso, digamos, ele decida se apropriar de bens alheios, ou tirar uma vida, ou simplesmente fazer algo que não devia. Mas não, existem restrições, existe a lei, e o policiamento, que, ao menos em nível teórico, estão aí para impedir que todo tipo de desrespeito a essa mesma lei ocorra. E a pergunta permanece: se a lei existe, a liberdade é cerceada? Não. De forma alguma. Aliás, lá está no Art. 5o da nossa Constituição:

XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;

Por favor não vá ainda me falar de casos de opressão indevida e corrupção da lei. Este não é o texto para tal. Voltemos ao fio da meada: a Lei não serve para cercear, mas para manter a liberdade. Então, por que os limites?

Simples: porque liberdade implica em responsabilidade. Ou, para usar uma citação marcante, "com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades". E liberdade é, sem dúvida, um grande poder.

Exemplo prático: liberdade de expressão. Eu defendo a liberdade de expressão plenamente, um sujeito tem todo o direito de dizer o que pensa sobre qualquer coisa, e ninguém tem o direito d calá-lo. "Não concordo com uma palavra do que dizer, mas defendo até a morte o defeito de dizê-lo", eu adoro esse dito. Mas, acredite, o grande problema não é poder dizer o que pensa, é aguentar as consequências depois. Se você vai falar o que quer, e se recusa a ouvir o que não quer, sinto dizer, mas você não merece essa liberdade.

Mas eu acho que existe um princípio fundamental para que a liberdade seja exercida de forma decente. É outro velho ditado e nem por isso menos certo: "sua liberdade começa onde a dos outros termina". Está ali, logo ao lado de "não faça aos outros o que não gostaria que fizessem a você", é um princípio fundamental do conceito de liberdade, você não invade o espaço individual do outro, e ele não vai te perturbar. Caso contrário, o ofendido tem todo o direito de atacar seu ofensor. Novamente, liberdade implica em responsabilidade, se você quer abusar da sua, esteja pronto para sofrer as consequências do seu ato, meu amigo.

Mas é claro que eu tenho consciência que tais conceitos são ideais, e que na prática há entraves humanos, et cetera, et cetera, et al... Eu acho que isso é o que menos importa. Use sua liberdade com responsabilidade, aprenda a lidar com as consequências de seus atos, e não se iluda com a liberdade "tudo é permitido" dos libertinos. Se todos nos lembrássemos das responsabilidades que advém da liberdade, haveria ainda alguma esperança para essa humanidade...