Não, tecnicamente este não é o post comemorativo do dia 12 de Junho, até porque tal post não existe. Vamos com calma.

Se por um lado temos manifestações puras e simples de amor, por outro temos o backlash daqueles que se revoltam pela comercialização do dia. E de ainda outro lado, temos gente sendo tremendamente original com a data que lhes é oferecida. Pois bem, eu sou o quarto lado: o filósofo.

Em tempo: a respeito da comercialização do dia dos namorados... (quase) nada a declarar. Negócios são negócios, e marketeiros, assim como o conselheiro, comem. Fosse o dia no dia 14/2, como sugere Marmota, o clássico dia de São Valentim, também seria comercial. Fosse no dia 15/8, seria comercial. Vivemos numa sociedade que sobrevive de consumo – vai ser capitalista, aceite as consequências –, é simplesmente natural. Não odeie um dia pelo que fizeram com ele, assim como não se deve odiar a pólvora por ser usada como arma. Não é culpa dela...

Mas voltemos... falar de amor é um problema. Você ou fala demais, ou fala de menos, ou fala merda. Mas a verdade é que amor é um sentimento que é confundido com muitos outros, e na verdade é tão simples, mas tão simples que qualquer dicionário te explica muito bem do que se trata.

a.mor, masculino 1. sentimento de gostar muito de outra pessoa ou coisa, de forma a querer e fazer o bem para essa pessoa, ser vivente ou mesmo coisa

Não é simples? O desejo do bem de outra pessoa, não importa o quê, isso é amor, muito bem definido. "E quanto a todas aquelas outras coisas que a gente associa?", você me pergunta. Bom, temos outros vários nomes.

Toupeira e Cigarra No reino dos sentimentos para-amorosos, temos: amizado, paixão, luxúria, prazer, admiração, excitação... são vários aspectos que se combinam e formam formas diferentes de amor, mas que sem o aspecto de bem querer incondicional, se tornam fracos. Mas, como disse, não vou falar de amor. Vou falar de mim. E minha "cigarra".

Pois em busca do contraponto de minha personalidade talpídea, no meio do caminho apareceu uma cigarra. Como vocês já sabem, seu nome é Aline e atualmente completamos 14 meses de namoro –no dia 10, diga-se de passagem. Muito bom namoro, aliás. Eu poderia contar muitas coisas a vocês, como sobre a noite em que nos conhecemos; as semana que se seguiram, durante as quais nos víamos e no final descobrimos que queríamos "nos conhecer melhor"; sobre porque uma união que é incompatível por alguns vários motivos dá certo; ou sobre outras coisas mais.

Mas a verdade é que não vou, porque isso faz parte de nossas memórias particulares, e não é o tipo de coisa que deve ficar boiando por aí pela rede. Prefiro falar de como o amor parece pra mim. Porque eu, talvez vocês não imaginem, nunca tive sorte com esse tipo de amor em particular. Minha vida dos 10 aos 18 anos é recheada de amores platônicos, paixões mal resolvidas, esperanças frustradas, traumas sentimentais e uma única namorada que, infelizmente, não deu certo e não vejo já faz muito tempo – o que é uma pena, é uma ótima pessoa...

Por consequência, essa coisa toda de carinhos gratuitos, experiências sensoriais incríveis, a preocupação incondicional, andar juntos falando de nada – ou mesmo sem palavras, só com olhares – em um abraço constante, ganhar a intimidade milímetro a milímetro, dividir momentos de felicidade – e também de dificuldade –, descobrir coisas sobre uma pessoa que você nunca imaginaria... é definitivamente tudo muito novo pra mim. Depois de três anos sem muito contato – ou, melhor dizendo, praticamente nenhum – que não fosse estritamente fraterno no máximo, isso tudo de repente ter se tornado parte da minha vida é fascinante e eu tiro proveito de cada aspecto como todo bom mineiro: aos miúdos. E tenho mais que agradecer a minha querida cigarra por ter a paciência de aturar minha milimétrica caminhada por caminhos já conhecidos.


Bruno Guedes, mais uma vez, revelado aos olhos de seu público. Amante em eterno treinamento, se despedindo para voltar ao trabalho – sim, eu trabalho. E espero que não tenham perdido seu tempo.