Bom dia, caros leitores do Bruno Guedes & Toupeiras. Hoje o assunto é sério, e por isso acho que devo algumas explicações.
A explicação mais importante é porque eu estou falando de assuntos "complicados", quando normalmente eu mandaria meu Editor-Toupeira encarregado Töpo Talpos escrever o post. Mas como já bem disse o Token, ele está em férias compulsórias de um ou dois meses porque, como eu disse anteriormente, não quero ficar vivendo de polêmica. Não curto polêmica, acho que só atrai comentário negativo e etcétera. Eu poderia ignorar sumariamente os comentários autotróficos, mas sinceramente já que a pessoa teve o pudor de vir até aqui e comentar, ela merece pelo menos uma resposta.
Mas, infelizmente, não se faz uma omelete sem quebrar alguns ovos, ordenhar uma vaca e matar um porco – eu gosto das minhas omeletes com queijo e presunto, se não se importam –, e se este blog é sobre Bruno Guedes e seus desvios de personalidade, uma hora as polêmicas aparecem, porque eu tenho opinião. E, vez em quando, eu me canso de guardar essa opinião pra mim mesmo, e tem que ir para algum lugar. E porque não para o lugar reservado para esse tipo de coisa?
Então, enquanto a toupeira gorda está revisando o texto sobre humor que sairá em algum dia na semana que vem, eu falo sobre religião e espiritualidade, ou sobre a minha escolha de viver na total falta delas. Comecemos.
Embora a palavra "ateu" seja bastante apropriada, visto que, sim, não reverencio a nenhuma deidade, no meu caso a coisa é mais abrangente, até o ponto em que "cético" seria a palavra certa.
Como eu estava dizendo à minha querida Aline ainda ontem, durante minha não tão distante juventude, eu me abri para várias alternativas filosófica e espirituais, chegando ao ponto de criar meus próprios sincretismos e auto-dogmas. Ainda me lembro da minha doutrina baseada no Evangelho (apócrifo) de Judas e na união de todos os espíritos no Espírito Santo. Parecia uma boa idéia na época, juro...
Mas enfim, o tempo passou e eu... como posse dizer de forma que não ofenda algum espiritualista aí de fora? Acho que não existe, então vai assim mesmo: eu cresci. Cresci, minha mente também amadureceu, e entre outras coisas eu conheci Carl Sagan e um mundo inteiro de céticos que existem por aí. E se você conhece Carl Sagan, há de concordar que ele representa bem o papel de ateísta, sobretudo em "O Mundo Assombrado pelos Demônios", e por "bem" eu quero dizer "de forma agradável". E daí eu tomei uma postura definitiva.
Minha escolha por uma vida laica não é de nenhuma forma pessoal contra qualquer religião ou forma de espiritualidade, embora eu tenha algumas coisas contra algumas delas. Eu simplesmente me sinto muito melhor vivendo num mundo pessoal onde o sobrenatural é, quando muito, terciário. Adoro assuntos sobrenaturais e mitologia em geral, mas não como parte integrante da minha vida. Eu já acho o Universo fascinante sem haver vontades ocultas sendo trabalhadas através dele. E também acredito que depois de pelo menos 6 milênios de evolução social, a humanidade já está bem grandinha para saber o que é certo e o que não é sem ter que seguir as ordens de vozes oniscientes e onipotentes.
Mas isso não impede de forma alguma que eu seja tolerante em relação às crenças dos outros. Só porque eu acho que Deus é a mentira mais bem-sucedida jamais inventada por alguém não quer dizer que eu vá jogar isso na sua cara cada vez que você mencioná-lo. Eu tenho tato, e só menciono esse fato a título de exemplo. Novamente, nada pessoal.
Meu respeito é, sobretudo, baseado no meu auto-conhecimento que, embora seja irrisório, já é suficiente para que eu reconheça a minha falibilidade e o fato básico de que eu não sou dono da verdade de forma alguma. Inclusive, o principal fator que me causa antipatia com relação a alguns religiosos é a ânsia de conversão e a arrogância que é mais geralmente atribuída – erroneamente – aos ateus. Mas, claro, não há porque sacrificar o rebanho por uma ovelha raivosa, sim?
E então começamos a série "Bruno Guedes: o Desconhecido" de forma completamente acidental, falando da minha (falta de) religiosidade. E prosseguiremos ao longo da existência deste blog falando mais de mim. Porque, afinal, o blog tem meu nome no título, então... por que não?

Bruno Pedrassani
06/06/2008 16:59
Na verdade, Deus não é uma mentira inventada por alguém. Acredito mais que Deus seja uma necessidade que surge em momentos devidamente oportunos.
Link para este comentário | ResponderMas concordo com você. Essas cruzadas para a conversão e salvação do povo em nome de Deus são um imposição infantil e ridícula. E não há como falar isso pra eles.
Bruno Guedes(Toupeira Profissional)
07/06/2008 21:43
Cada qual tem sua teoria. Eu acredito que a necessidade seja mãe da invenção e, portanto, da mentira. ;)
Link para este comentário | ResponderNão se fala. É como tentar falar pra um paranóico que ele é paranóico, ele não vai acreditar. As verdades são incompatíveis, e cada qual prefere a sua...
Denis Abdrade
06/06/2008 19:21
Quanto às religiões, o que me deixa preocupado é a arrogância em achar que a "minha verdade" é melhor do que a "sua verdade". Não sou ateu. Acredito em Deus sobre todas as coisas. O que não dá prá acreditar é em religião. Prefiro futebol, se bem que não acompanho nenhum campeonato. O fato é que temos que nos soltar das amarras de crenças inventadas para controlar populações da idade da pedra. Acredito que temos que acordar deste pesadelo coletivo antes que haja mais inquisições, guerras e outras coisas piores. Somos melhores que isto.
Link para este comentário | ResponderBruno Guedes(Toupeira Profissional)
07/06/2008 21:36
Disse-o muito bem: "somos melhores que isto". E tomo de frente as consequências dos meus atos.
Link para este comentário | ResponderObrigado e bem-vindo à seção de comentários do nosso querido blog!
Moura
06/06/2008 22:36
Meu caro Bruno, "na verdade" nem minha, nem sua, ou de qualquer que seja (pois somos limitados) e DEUS ilimitado, acredito sim que DEUS criou todas as coisas inclusive o ser humano "racional" que acredita no "big bang", no "ceticismo" "ateismo" entre outros tantos "ismos".
Link para este comentário | ResponderSou religioso, e acredito sim em DEUS, Jesus e o Espírito Santo (Trindade, ou Triunidade), no entanto também não discuto religião, uma coisa penso (limitado que sou), somos corpo, alma, espírito, como dizem a única certeza que temos é a morte, mais o que é morte? Dizem que é o fim de tudo, eu digo que é o início de uma nova vida "eterna", com DEUS (sendo salvos por JESUS, que um dia morreu numa cruz), e vida "eterna" sem DEUS, e sem salvação.
Cada um tem o direito de seguir aquilo que acredita, eu respeito, no entanto disse JESUS, Eu sou o caminho, a verdade e a vida, ninguém vem ao Pai a não ser por mim.
Abraço.
Bruno Guedes(Toupeira Profissional)
07/06/2008 21:41
Muito bem, muito bem, temos opiniões diferentes. Isso não é maravilhoso?
Link para este comentário | ResponderComo já disse, estou feliz me arriscando pelo caminho sem "Ele". No fim a gente descobre quem estava certo. =)
Outro abraço.
Isaias Malta
06/06/2008 23:52
No terreno dos heterônimos compulsórios, só me resta arguir sobre o "comentário autotrófico" gerador da explosão laica brunística.
Link para este comentário | ResponderPensando em termos morfológicos, religião é religar, ou seja, precisam se religar aqueles que estão desligados. Quem não se sente assim, talvez não precise inventar Deus.
Bruno Guedes(Toupeira Profissional)
07/06/2008 21:33
Por "comentário autotrófico" entenda-se "comentário advindo de um legume". Nada mais. ;)
Link para este comentário | ResponderE talvez seja só o desgaste causado por horas e horas tentando instalar um Windows, mas dessa vez você teve "as manhas" de ser críptico, Isaias...
cardoso
07/06/2008 06:03
clap clap clap EXCELENTE texto.
Link para este comentário | ResponderMoura
13/06/2008 10:56
Meu caro, Bruno, ainda sobre este tema polêmico, contudo interessante, deixo mais umas poucas palavras que acredito seja interessante pra ti e para os leitores deste interessante blog.
Link para este comentário | ResponderA respeito do que disse "No fim a gente descobre quem estava certo.", me lembrei que uma certa feita, estava eu e uma amiga conversando sobre religião, ela era "Espirita Kardecista", e me questionou sobre nosso pensamento "Evangélico" de crer em "Ressurreição", pois ela acreditava em "Reencarnação".
Pois bem, falei pra ela o seguinte: Digamos que eu esteja errado pensando em ressurreição, e você esteja certa, pensando em reencarnação, sendo assim eu terei uma nova oportunidade, pois reencarnarei para tentar me aperfeiçoar e corrigir meus erros, mas se você estiver errada, não terá outra oportunidade, pois segundo a Bíblia "Palavra de Deus" após a morte segue-se o juizo (Hebreus 9.27).
Abraço.
Ruth
02/01/2010 19:04
Porque religião ou a falta dela sempre gera tantos comentários???? Ja repararam este detalhe? Dentre outros assuntos como futebol e política!
Link para este comentário | ResponderAbraços!