Há uma semana atrás, eu falei que, apesar da minha misantropia e leve desprezo por coisas demasiado simbólicas e/ou artificialmente religiosas, eu e o Natal nos damos bem, obrigado. Aliás, este Natal foi bem legal. Mas enfim, agora você deve estar pensando que eu terei uma epifania a respeito do Ano Novo também, em como isso é uma coisa tão legal, as pessoas querendo se melhorar com as resoluções e blá blá blá... bem, daqui já deu pra sacar que não é bem assim...

Então vou direto ao ponto: Ano Novo(ou, mais especificamente, a festa de Reveillon) é completamnte supérfluo. E eu vou explicar por quê.

Tenho eu a mania irritante de pensar demais, e daí derivam coisas como um nível um tanto elevado de empatia(ainda que tardia, de vez em quando) e outro hábito absurdo, que é o de pensar em coisas em escalas cósmicas(ou microcósmicas, depende). Dia desses eu me peguei pensando "como será que a Serena1 pensa?", e depois tentando formar coisas em lógica de cachorro. Sério.

Mas enfim, consequências disso incluem o fato de que eu não vejo por que comemoramos a passagem de ano, mas não a dos meses ou dos dias. Não me venha com essa de que é bastante tempo, o que mais se houve é que "o ano passou voando". Se ele passa tão rápido, não é tanto tempo assim!

Sim, verdade, um ano é exatamente o tempo que a Terra leva girando em torno do Sol. Ou, mais especificamente, um ano, seis horas e mais alguns quebrados de minutos. Mas também meio ano é exatamente metade deste tempo, e pouca gente comemora os finais de semestres(entre eles, estudantes universitários, sobretudo os de Ciência da Computação). E não tenho certeza – nasci logo em 1989, e não presenciei muitas ocasiões dessas –, mas não me lembro de pessoas comemorando a passagem das décadas...

Enfim, deu pra entender: eu não sei porque todo o auê, roupas brancas, fogos, ervilhas, lentilhas, uvas, romãs e demais frutas supersticiosas por causa de uma data que nem sequer deveria ser bem definida, visto que duvido que o mundo tenha nascido em primeiro de Janeiro. Poderíamos comemorar (ou melhro, não comemorar) a passagem dos anos em 25 de Março, e não faria diferença.

Mas eu sou um ranzinza bastante concessivo. Eu considero a validade das boas intenções, então desejar um Feliz Ano Novo como quem deseja um bom dia, está tudo bem. Afinal, bons desejos nunca são demais...

...Mas sem fogos, se possível. Um desperdício de pólvora e céu, se Aimee me permite roubar uma frase de "Fourth of July" – e, se não permite, depois eu conto como foram os trâmites de direitos autorais...

E, só mais uma coisa: se forem fazer promessas, façam alguma que vão cumprir. Essa história de "resolução de Ano Novo" é deprimente demais...

E um feliz Ano Novo. Atrasado, porque o post saiu pela metade...


1 Serena é uma dachshund daqui de casa, pra mim a cadela mais fofa que já existiu. Não discuto.