Não nunca falei de democracia. Talvez um dia eu fale porque acho que ela foi feita pra não dar certo – envolve a maioria ser, quase que invariavelmente, burra –, mas vamos falar de eleições. Porque, poxa, já estão aí na metafórica esquina.

Eu não voto em Belo Horizonte, mas usufruo de seu horário eleitoral. Grande parte do material aqui presente vem de lá, então aguentem. Eu, sinceramente, penso em anular meu voto...

É tenso. Sabe, tem cada coisa em período de eleição... as "alianças" são obrigatórias, e o destaque da vez é nosso querido Márcio Lacerda, que propõe governar com o apoio de Aécio e Lula... mas parece se esquecer do pequeno detalhe de que as eleições pra governador e presidente são logo daqui a dois anos, e o Lula não pode mais se reeleger. E além disso, como se garante que o governo prossegue se nem Aécio nem Lula estiverem no próximo governo? Mas acho que isso é trivial... ou, pelo menos, parece. Semana que vem ficaremos sabendo se o povo anda prestando atenção.

Além disso, o que mais se ouve em campanhas são "vamos fazer tal e tal". Não só campanhas para prefeito, vereador, deputado, presidente e o diabo a quatro, nem grêmios estudantis estão à salvo. Todo mundo promete, mas sabe o que eu gostaria de ouvir? Os "comos". Como, eu me pergunto, pretenderia o PSTU fazer "os ricos pagarem pelos pobres"?

Que o tempo ridiculamente pequeno reservado para candidatos a verador, ainda mais de partidos pequenos, não é suficiente para elaborarem propostas decentes, não é noviade. Mas o que leva o PSC(Partido Social Cristão) a fazer de sua propaganda uma exposição de candidatos que dizem – sim, todos dizem exatamente a mesma coisa – "O PSC acredita em Deus e põe o ser humano em primeiro lugar", com a voz mais decorada e jogral-de-escola que jamais se ouviu? Se eu disser que, durante a propaganda política eu já estava praticamente perguntando "mas qual é a tua proposta, desgraça?", alguém acredita? É, eu imaginei...

Ah, e vamos falar de votos nulos. Sabe aquelas estórias que percorrem as caixas de e-mail de todo o país, usando nomes fictícios horrivelmente simbólicos – só de pensar em "Golfinho" ainda me dá uma leve dor de estômago – para nos dizer que, se houver maioria de votos nulos, uma eleição deve ser anulada? Pois é, o "e" de "estória" é proposital, isso é balela. Por uma mera tecnicalidade e interpretação energúmena – eu pesquisei, significa "desnorteado" – de um tal ministro. Acredita não? pois leia. É, a lei brasileira é, em muitos pontos, escrota. Mas eu sempre digo que as leis humanas são tão perfeitas quanto os seres humanos que as escrevem...

E, finalmente... eu questiono veementemente – se é que essa palavra existe – o voto obrigatório. Não por preguiça, mas porque, sinceramente, a obrigatoriedade gera, invariavelmente, a má vontade. Pense em todas os atos obrigatórios: votação, alistamento no Exército Brasileiro1, até ir à escola, pombas! Quase ninguém quer e, consequentemente, quase todos o fazem de muito má vontade. Com voto facultativo, muito provavelmente aumentaria qualidade do voto... num mundo perfeito. Nesse nosso querido país, muito provavelmente o que ocorreria é que as pessoas continuassem a votar em quem seus patrões mandassem, e etcéteras do tipo...

Olhando pelo lado bom, ainda bem que inventamos a maldita urna eletrônica. Pelo menos nisso dá pra confiar... por enquanto.

Bruno Guedes, "TP", Korso Asclepius, Token O. e, principalmente, o senhor Töpo Talpos se reservam ao direito de não se filiar a nenhum partido e criticar a todos igualmente. Se nem todos foram mencionaos, é porque, homessa, não cabe no espaço do texto.

1: Para homens. As feministas, "surpreendentemente", ainda não protestaram pelo alistamento obrigatório feminino. Suponho que deveres iguais ninguém queira, mesmo...