Revoluções na maneira como a informação é distribuída sempre causam impacto, por razões óbvias. Revoluções são assim. Neste último século a forma como a informação é transmitida se tornou cada vez mais rápida e mais global, o que, além de alimentar a nostalgia de que os velhos tempos eram melhores, pois "nada de mal que acontece nos tempos de hoje acontecia", também alimentou uma crescente tendência imediatista.

É esta tendência que causa aquele estranho e leve desconforto – ou talvez grave, dependendo do nível de imediatismo contraído – ao se ler uma notícia mais velha do que uma semana. Em alguns casos, ainda menos tempo. Enfim, este fato em si é apenas uma consequência dos tempos, e não muito nocivo por si próprio. Mas leve-se em conta duas consequências – ou talvez apenas efeitos colaterais –, e a coisa fica mais séria: temos então falta de atenção e incapacidade de retenção da informação.

Incapacidade esta, aliás, que já foi mencionada aqui mesmo neste blog. Nós, como povo e público, nos tornamos incapazes de digerir tanta informação tão rápido com a mesma eficiência e eficácia que teríamos com uma digestão mais calma, em intervalo mais longo. Esta deficiência foi nos afetando de forma gradual, começando com jornais, rádio, televisão... e finalmente terminando, até o momento, com blogs. E Twitter.

O Twitter, aliás, sendo o mais imediato e "veloz" de todos. O blog, por outro lado, permite muito mais espaço e discussão. Em geral, por volta de uma semana após a efetiva ocorrência de qualquer fato relevante já se torna inútil escrever sobre ele em um blog, pois se nem tudo o que já havia para ser dito o foi, os visitantes já estão de olho em outro bafafá. É como se o Twitter fosse um gatilho e a "blogosfera" o cano de um revólver. Mas a bala nunca fica muito tempo a viajar pelo interior do revólver.

Não que eu conteste o poder e utilidade do Twitter como ferramenta de veiculação de notícias. Jamais, pois ele desempenha muito bem seu papel. Talvez bem demais, a tal ponto que nos tornamos quase dependentes dele para nos contar o que há no mundo. E muito cuidado é necessário, caso contrário atingimos um ápice deprimente no qual, se algo não é mencionado no twitter, não aconteceu ou não existe.

Mas abuso da hipérbole. Fato é que nos tornamos seres imediatos e sedentos por novidade. O que não é de todo ruim, pois a estagnação é nociva, mas também não é de todo bom, pois é preciso armazenar e absorver o passado para que o futuro se torne realmente melhor, e não apenas um momento que sucede o presente.

Aqui é Korso Asclepius, e fica dado o recado.