E vamos pro segundo turno. Essas eleições foram... únicas. Mas vou me ater ao segundo turno, o que nos levou lá e o que nos espera. Um parágrafo, entretanto, para aquele assunto da vez: Tiririca.

Tiririca foi votado deputado federal no estado de São Paulo com maior número de votos do que qualquer outro candidato. Dou parabéns a ele pela vitória. Ele é uma espécie de Macaco Tião que falhou porque aparentemente o povo que deveria ser esclarecido e estudado se esqueceu que não se faz voto de protesto colocando, efetivamente, um incompetente no poder. Por ser um candidato oficialmente cadastrado, Tiririca se torna Deputado Federal, leva mais uma corja do PR com ele, e a situação realmente fica pior que estava. Parabéns a ele, parabéns a quem votou nele. E isso basta de Tiririca. Quanto menos se falar, melhor.

Voltemos ao segundo turno. A situação final foi: Dilma Roussef com 47,65% dos votos, José Serra com 33,13%, Marina Silva com 19,63% e o restante dos candidatos abaixo dos 1%. Plínio Arruda conseguiu a façanha de chegar perto, com 0,87%. Nada mal para um candidato do PSOL. Mas estou divagando. O que importa aqui é que este é um segundo turno bem atípico.

Primeiramente, o segundo turno foi causado, ao que tudo indica, por uma onda de votantes conscientizados(para bem ou para mal) decidiram votar em Marina Silva ao invés de nulo para causar um segundo turno ao invés de imediatamente tornar Dilma presidente. Com o que Marina Silva não contava era que ela não estaria neste segundo turno. Agora temos de escolher entre Serra e Dilma. Seus votantes têm seus argumentos contra e a favor, mas eu queria falar é do segundo turno.

Você, leitor, é convidado a verificar os dados. Eu pesquisei e afirmo: não houve, na história de eleições presidenciais de 1994 até 2006, nenhum candidato que tivesse ganhado no segundo turno sem ter a maioria de votos no primeiro. Em outras palavras, quem "ganha" no primeiro turno, continua ganhando no segundo. Poderia afirmar que o segundo turno é inútil, se não fosse este um fato impossível de provar. Será fácil provar que não é se o contrário ocorrer, mas por ora não podemos afirmar, com certeza, que o segundo turno não tem serventia. Podemos apenas dizer que parece ser. E, a bem da verdade, este segundo turno pode ser bem atípico.

Marina Silva, candidata do PV, conseguiu algo que candidato de partido secundário normalmente não consegue, que foi sua escalada rápida pelas estatísticas do eleitorado. O resultado disto é que, efetivamente, Marina Silva pode decidir esta eleição. Considerando que todos os seus eleitores votem no candidato que ela escolher apoiar, tanto Serra como Dilma terão mais de 50% dos votos no segundo turno. Em outras palavras, ela tem a eleição nas suas mãos.

Não duvido que este tenha sido seu plano quando começou a campanha de "vote na Marina para ter um segundo turno". Vendo que não conseguiria conquistar o posto de presidente, conseguir ao menos os benefícios que virão das negociações pelo apoio à campanha definitivamente vale a pena. O que vai de fato acontecer daqui pra frente não posso saber, mas uma coisa é fato: Marina vai ter uma parte enorme na decisão dessa eleição.

E, pra ser sincero, muito melhor do que está não parece que vai ficar.


Töpo Talpos é cronista, blogueiro e pessimista profissional.