Estão em toda a parte: avisos, placas e cartazes nos dizendo o que devemos e não podemos fazer em lugares públicos. "Jogue o lixo no lixo"; "Estes lugares são reservados para idosos, gestantes, deficientes e pessoas com problemas de locomoção"; "Por favor, não fume"; "Favor dar a descarga após usar o vaso sanitário"; et cetera, et cetera, et al. Parecem apenas pequenos reforços para a boa convivência do ser humano com seus iguais e seu planeta, mas a verdade é que são apenas mais uma prova de que tem algo errado acontecendo. Parece que a máxima "educação vem de casa" anda caindo de moda, e a coisa parece que piora a olhos vistos.

O que me leva a crer isto são duas coisas. Primeiro, muitos destes avisos não são apenas prevenção. Talvez "Não deixe seu lixo no chão" seja apenas uma mera formalidade, mas coisas como "Favor não jogar restos de cigarro no playground" já carregam uma forte impressão de que, por alguma razão, pessoas andaram jogando restos de cigarro no playground. Não cabe a mim julgar por que isto seria uma atitude lógica, ou por que, aliás, alguém jogaria seus restos de cigarro em qualquer outro lugar que não uma lixeira... A questão é que o presumido precedente nos leva a crer que anda faltando muita educação em boas maneiras e convivência básica de berço, e é fato comentado e consumado que tentar consertar um adulto mal-educado não é fácil. "De pequenino se torce o pepino", embora eu não sei pra que se torce um pepino...

Mas o que me levou a escrever esta mímica de crônica foi, estranhamente, a nossa querida colega, a gripe A/Suína/H1N1. Explico: o Jornal do Ônibus – que, como o nome indica, é um periódico que circula nos vários ônibus de Belo Horizonte – contém uma pequena área dedicada a dicas de "Gentileza Urbana". Coisas como se oferecer para levar mochilas, bolsas e sacolas de quem está de pé, não ocupar os lugares reservados, e por aí vai. Este mês passado a seção continha algumas recomendações claramente objetivadas a evitar a proliferação da maldita nova gripe: deixar as janelas ligeiramente abertas para circular o ar, usar um lenço para tampar a boca e nariz ao espirrar e não cuspir pela janela.

Tudo bem se você ficou perplexo, eu também precisei ler mais de uma vez: "não cuspir pela janela". Eu me senti um ser humano de finesse e etiqueta impecáveis diante de tal coisa, visto que não sou do tipo que precisa ser avisado a não cuspir pela janela de ônibus e outros veículos. Aliás, cuspir em público é algo que não me passa pela cabeça. Me vem sempre a idéia de uma lhama, e não um ser humano, fazendo isto, mas talvez seja só eu...

Enfim, eu não sei bem o que é isto. Parece um sinal de coisas ainda piores por vir. Um sinal de que, se as pessoas precisam que alguém lhes oriente a não cuspir na rua, talvez tenham um dia de ser orientadas a por um pé na frente do outro para andar. Mas isso tem solução. É só não pensar que educação se delega pra fora de casa, e lembrar que educação é, sim, fundamental na construção do ser humano. Acho que é simples o bastante pra funcionar, não?