Por mais que confie nas formas mais desprezadas de arte – animação, games, arte sequencial(comics/mangá)... –, definitivamente nunca pus muita fé no quadrinho nacional. Sim, temos muitas tiras de jornal boas, simplesmente adoro Níquel Náusea, e Piratas do Tietê é bastante interessante. Entrementes, no que se trata do, digamos, "épico sequencial", não costuma vingar muito. Ou isso, ou ando definitivamente muito mal informado, mas existem muito poucos grandes expoentes. Tivemos Holy Avenger, que era realmente um épico de fantasia medieval no melhor estilo "amangazado". E temos a Turma da Mônica, que é, talvez, nosso maior sucesso. Convenhamos, mais de 40 anos não se conquistam com qualquer merda.

Mas enfim, 40 anos da mesma coisa cansam, que digam os leitores de Garfield. Sim, inovação não faltou à equipe do Maurício de Sousa para manter as histórias novas. Bem, pelo menos um bocado de atualização de lá pra cá, embora os temas e os enredos não mudem muito. O estilo também ficou mais fluido, o que é... bem, não sei se é bom ou ruim, é incerto. Mas nada drástico. Então saem as notícias: a querida turminha vai sofrer um "art shift" geral, além de envelhecer alguns anos. O resultado? Isso:

Turma da Mônica Jovem

Veja bem, trata-se na verdade de um título paralelo. Algo como os Muppet Babies, mas ao contrário. O que temos aqui é uma fase experimental de dois anos pra ver se a idéia pega, e se pegar, vai saber o que será realmente feito. Mas se a nova série – chamada, de maneira completamente não-criativa, de "Turma da Mônica Jovem" – for o foco principal dos estúdios, só tenho uma coisa pra dizer: ou isso vai dar incrivelmente certo, ou desastrosamente errado.

Nada contra. Pelo contrário, estarei pagando pra ver. Talvez até literalmente, pois vale a pena dar uma olhada por dentro das revistas pra saber, e elas nunca são de graça. Mas se por um lado a ousadia e adaptabilidade são bem vindas, temos dois fatores importantes contra esse processo: nostalgia, dos fãs antigos – ou nem tanto – que simplesmente não gostarão simplesmente porque mudaram; e a estigmatização básica de todo o estilo mangá, que eu acho uma besteira, mas cada qual odeia o que quiser, eu não ligo.

Até porque, convenhamos, o público-alvo não só não se importa com as mudanças, como talvez as receba de braços abertos.

Fontes: A viagem de Shigues e Blog do Cardoso