Korso estava escrevendo um pequeno post de apresentação da proposta de apresentar minha arte por aqui(link do deviantART à direita), e ele logo toca num ponto importante, que é o tamanho da nossa base "leitoral" recorrente. Umas dez pessoas, quando muito. E, como sempre, meu cérebro desandou a pensar...

É culpa minha. Não pode ser de mais ninguém, senão talvez as toupeiras, mas convenhamos... Enfim! Eu não faço publicidade tão bem quando deveria, por algumas razões: porque não sei fazer publicidade; porque tenho imensa preguiça disso(ver motivo seguinte); e porque tenho uma barreira natural que me impede o orgulho, a não ser em casos extremos. Isso, a mesma "proteção anti-orgulho" que prometi várias vezes falar sobre. Hoje é o dia.

Acho que li em algum lugar dos muitos livros do Sítio do Picapau Amarelo – provavelmente aquele de fábulas – que o César, o imperador romano, tinha sempre por perto um sujeito cuja única função lembrar ao imperador de sua mortalidade e falibilidade. Exagero, mas tá valendo pela metáfora: de vez em quando, no meio do orgulho e da exaltação, a gente perde a noção da nossa própria capacidade de cair de cima do pedestal. E isso é um problema. Daí eu criei meu próprio "regulador de orgulho", que toma cuidade de manter modesto a não ser quando a situação fosse genuinamente de orgulho. Afinal, tem horas em que se orgulhar é preciso...

Mas isso é diferente da noção da "falsa modéstia" presente quase que naturalmente no caráter brasileiro. Sério. Eu tenho a noção de que algo é "bom", mas evito subir na escala além do "ótimo". É como um limite de proteção: cair de três metros não é um problema, sacode-se a poeira e tudo bem. Cair de trinta já é um problema...

É mais ou menos uma tentativa de manter um meio termo, fazer um bom trabalho, ter a consciência disso, mas ainda assim não cantar as glórias que não estão aqui. O que isso tem a ver com minha insistência em não fazer publicidade como se deve (i.e., empurrando o link na goela daqueles à minha volta), é que eu não tenho a cara de pau de tentar promover "mais um blog" errático, assim como provavelmente nunca irei promover meu outro projeto online o bastante. Mas este outro projeto fica pra outra hora, quando ele estiver mais bem formado e consistente, e pronto pra deixar o útero. E vamos parar com as metáforas nojentas e terminar logo o texto.

Minha proteção é simples: serve pra proteger a mim mesmo da queda e vocês de uma arrogância insuportável. Conosce te ipsum é um princípio muito difícil de se atingir na prática, então entre ser arrogante e ser modesto eu prefiro ficar no meio: aceito os elogios, mas evito que eles venham da fonte menos confiável possível: eu. "Elogio de boca própria é vitupério". O que, aliás, é mais uma coisa que eu aprendi com o Lobato.