Boa noite, o nome é Topo Talpos, e o negócio são discussões de teor ameno e, na medida do possível, agradável — mas não tomei café na última meia hora, então não me responsabilizo.

Esta série que começa agora e se chama "Falhas na Evolução" comenta sobre problemas na psique e no organismo humano que, de alguma forma misteriosa, não foram aperfeiçoados nos poucos milhões de anos em que essa espécie fascinante e desastrosa conhecida como Homo sapiens surgiu na face da Terra. O tópico de hoje é, como o título indica, a falibilidade da memória.

Pois veja bem: enquanto ainda não tinha um blog, nosso querido garoto tinha idéias mirabolantes sobre o que fazer no blog. Ele lia posts e se inspirava, e tinha idéias que talvez o lançassem na humilde e ínfima posteridade do mundo bloguista. Entrementes, agora que o blog está aí, as idéias... bom, elas fugiram. Por isso eu as chamo de fugidias.

Imagine, caro leitor, que despropósito é, do ser humano, de ter idéias incríveis e, de uma hora para a outra, as mesmas sumirem? O que cargas d'água aconteceu no curso da evolução para tal resultado? E, enfim, que tipo de mecanismo meia-boca a memória usa para decidir o que deve e o que não deve ser apagado?

Além disso, o cérebro falha miseravelmente não apenas na hora de escolher o que deve ser jogado fora, mas também na hora de pegar o que foi pedido. É numa dessas que sua memória confunde "Sueli" com "Mariana" e você termina seminu no meio da rua tendo roupas jogadas em você aos olhos dos vizinhos curiosos. Não, nunca aconteceu comigo. Mas poderia...

Ou, claro, o famoso fenômeno inexplicável no qual um sujeito se encontra concentrado no que ia fazer e, num piscar de olhos, seu cérebro resolve mudar de canal(não pergunta para qual...) e o pobre indivíduo se encontra no desconforto de, sim, esquecer o que cargas d'água estava a fazer... Definitivamente, desconcertante e perigoso. Imagine uma coisa dessas, em 80.000 aC, um pobre homem das cavernas esquecer que deveria aplicar uma certeira paulada naquele tigre que vem em sua direção... É, amigo, um segundo de vacilo, é a vida que vai embora.

Enfim, há que se temer a própria mente. A mente em si é muito ampla e, por conseguinte, contém uma quantidade astronômica de falhas. Por isso teremos muito mais de "Falhas na Evolução" sobre a mente humana, esse mecanismo com mais bugs que o Windows 95...