Tenho pra mim que, quanto maior o público para o qual você escreve, mais claro você tem de se fazer. Clareza evita maus entendidos e, subsequentemente, dores de cabeça e longos minutos explicando o que raios você queria dizer ali. Quando você escreve nessa máquina de distribuição em massa que é a internet, que na maioria dos casos carece de um mecanismo de edição – o que é bom e ruim, mas não é este o assunto de hoje –, então a coisa fica realmente feia.

Enfim, esta é a razão pela qual, após longa deliberação, resolvi que deveria deixar bem clara a razão por que: a) não assisto o Big Brother Brasil; b) não comento sobre o que acontece no BBB, quando por acaso venho a saber; e c) não faço a mínima questão de saber o que acontece nesse programa. Como de costume, vamos por partes.

De início, minha antipatia com o programa não tem nada a ver com seu sucesso. A bem dizer, seu sucesso é completamente independente da antipatia de quem quer que seja. Reconheço aqui, a público, que o programa é incrivelmente popular e quem está por trás disso sabe muito bem o que faz. Não soubesse, não estaria o programa na décima edição. Realmente, o programa é um reciclagem de si mesmo com alguma aleatoriedade jogada em cima, por várias edições foi uma evidente máquina de putaria, mas ninguém pode dizer que a fórmula de dividir a privacidade de dez e mais bocados de pessoas com o país inteiro não dá certo.

Só que eu não tenho o menor interesse nisso. O problema é, puramente, a premissa. Meu interesse em saber que intrigas estão rolando, quais "panelas" estão sendo formadas ou qual o mais novo toque de drama que a rede Globo subitamente inseriu só pra manter o público atento é nulo. E, sendo assim, meu interesse em compartilhar qualquer informação que tenha chegado a mim indiretamente a respeito com outras pessoas é proporcionalmente baixo.

E, claro, a óbvia constatação de que a Globo está vendendo a mesma premissa relavada e repintada umas nove vezes para um público que paga pra participar – e, possivelmente, paga várias vezes mais do que o próprio prêmio em dinheiro – não deixa de me incomodar. Mas, no mais, é o que eu disse aí acima, não é do meu feitio.

Acho que está claro, então. A todos vocês que chegaram a este site procurando alguma coisa sobre o tal programa... bom, sugiro o Twitter, dizem que a informação chega rápido e se alastra igualmente por lá. No mais, voltaremos à nossa programação normal... ou assim espero.


Töpo Talpos é blogueiro, cafeinólatra e acha que Tessália tem alguma coisa a ver com a Grécia