No conto "Pedras Estranhas", de Gene Wolf, o personagem principal analisa a situação estranha em que se encontram os tripulantes da nave que persegue uma outra com uma anedota que pode ou não ser verídica – ou seja, talvez seja uma lenda real, talvez seja somente parte da obra do autor. Um cientista monta uma sala cheia de apetrechos, instrumentos, objetos e obstáculos com o fim de estudar o comportamento de um macaco. Ele coloca o macaco lá dentro, tranca a porta e, quando vai olhar pelo único orifício de observação, ele se depara com nada mais nada menos do que o olho do macaco, olhando para fora.

O que isso tem a ver com a vida real? Muito.

Em Física Quântica – aquele ramo da Física conhecido por ter tanto de exato quanto matemática tem de humano – existe o princípio de Heisenberg. De acordo com Herr Heisenberg, o simples ato de medir a posição de uma partícula muito pequena, como um elétron, modifica a posição da partícula e portanto muda a leitura. Faz sentido, visto que a partícula é muito pequena.

A verdade pura e simples é que o princípio se aplica não apenas a partículas quiçá imaginárias visualizadas apenas por físicos loucos. Em computação, outro campo tão misterioso, porém infinitamente mais exato, muitas vezes o próprio processo de identificar um erro corrige o erro, deixando um programador em maus lençóis. Qualquer universitário recém-formado já presenciou isso mais de uma vez. Psicologicamente, o princípio também age sobre pessoas. Que o diga Elton Mayo.

Elton Mayo era um dos vários sociólogos que trabalhavam tentando descobrir como fazer as empresas trabalharem melhor após a quebra do pacto Fordista. Seu plano era investigar a influência da luminosidade na produtividade(sim, eles estavam desesperados naquela época). Seu experimento era simples: um grupo de 6 mulheres de uma companhia elétrica seriam monitoradas enquanto as condições eram mudadas a cada dia. Os dados coletados eram usados para comparação e havia um grupo de controle. Tudo ótimo. Teoricamente...

Na prática, exceto em casos extremos, Mayo podia mudar qualquer fator em qualquer direção que a produtividade invariavelmente aumentava. Beirando à loucura por ter nas mãos uma experiência que não fazia o menor sentido, Mayo finalmente descobriu a solução recorrendo à nossa querida "Navalha de Occam": o que aumentava a produtividade não eram os fatores modificados; eram as experiências.

Pois então, Mayo percebeu que, assim como a posição do elétron, a produtividade de suas moçoilas dependia mais do fato de estarem sendo observadas do que de fatores externos. Mas, afinal, o que se aprende daí? Duas coisas, pelo menos:

1- Sabe aquelas pesquisas de cunho psicológico, que diz que o grupo A mente mais que o grupo B, ou que o grupo X é mais confiável que o grupo Y? Balela. Não se mede uma coisa dessas. No momento em que você expõe a pesquisa ao objeto – ou, no caso, ao sujeito – ela deixa de ter valor. Pesquisando a mentira, o alvo, sabendo que seja lá qual o grupo em que ele está inserido, esse grupo será prejudicado. Então ele mente menos, ou mente sobre sua mentira. Simples, hã?

2- Mais importante, a melhor maneira de obter comportamento ótimo, ou quase ótimo, de um trabalhador é arranjar um supervisor. Alguém que fique de olho, senão sempre, pelo menos quando a produtividade cai. Pelo medo de perder o emprego por incompetência, o safado trabalha mais quando é vigiado. E dá-lhe Heisenberg no ambiente de trabalho...

Lição do dia? Quando se acha que não, a observação cria os fatos. A Natureza não é fascinante?