Um computador somente será inteligente quando não acreditar na existência do seu criador.
– Isaias Malta

Em 1950, Alan Turing — pai da computação, idealizador da Máquina de Turing e fundador das bases da computabilidade e teoria da computação — cunhou o Teste de Turing. Em conceito, o teste é bem simples: coloca-se um ser humano num lado de uma parede e um computador do outro. A pessoa não sabe que quem está do outro lado é um computador. Coloca-se os dois para conversar(via um terminal de computador, claro). Se o ser humano não consegue distinguir essa máquina de uma pessoa, ela passa no Teste. Assim ele lançou as bases para o estudo da Inteligência Artificial.

Entrementes, a IA já era tratada e especulada na ficção desde muito antes, incluindo um certo conto do século XIX que tratava de uma máquina que jogava xadrez(e, ao perder, se enfurece e mata seu adversário). A Filosofia da IA é vasta e se perguntam muitas questões, incluindo a possibilidade ou não de um computador apresentar emoções, de questionar a própria existência ou qual é o limite entre a máquina e o ser humano. É este, inclusive, a grande questão que deixa os fãs e escritores de FC tão preocupados.

As questões fundamentais giram acerca, principalmente, da máquina tomar consciência de si mesmo, sentir emoções e, consequentemente, questionar a supremacia da ordem mundial. Afinal, por definição uma máquina é melhor do que um ser humano, e muito provavelmente seria mais resistente. Enfim, há diversas razões pelas quais a luta entre máquinas e humanos teria um vencedor óbvio, e um fim nada feliz para a humanidade. Mas temos razão para temer tal coisa? Infelizmente, sim.

Cientistas japoneses volta e meia criam robôs capazes de interagir com humanos, com o objetivo de usá-los como substitutos em caixas, barracas de informações, e outros locais públicos com recepcionistas em geral. Essa robô aí no vídeo é a Actroid, que é programada para interagir com pessoas de forma satisfatória e agradável. Há, inclusive, a idéia de criar máquinas com o puro objetivo de lidar com idosos. Tudo isso é, sejamos justos, fascinante. Só é perigoso.

Não digo que o desenvolvimento da IA de tal maneira que a interação humano-computador seja tão fluida quanto a interação humano-humano seja inútil, mas não seria melhor, menos trabalhoso e mais eficaz usar seres humanos para essas tarefas? Eu não sou ludita, tanto pelo contrário. Mas acho que máquinas devem ser máquinas, não humanos. Criar uma máquina que cuide da produção em massa de veículos, que é uma atividade repetitiva, fatigante e enfadonha, é desejável. Criar uma máquina para agir como um humano seria uma perda de tempo e dinheiro, pois um ser humano agiria como um humano com muito menos custo e de forma bem menos "artificial", frustrante e desconfortável para seu interlocutor.

Além disso, voltando à questão da IA transcendendo para a consciência... não creio que haja nada mais do que matéria no corpo. Sendo, portanto, tudo o que pensamos, lembramos, sentimos, e até mesmo o que chamamos de "consciência" nada mais são do que neurotransmissores e corrente elétrica. Logo, seria ilógico dizer que é possível imbuir uma máquina com consciência? De forma alguma. E isso é que é perigoso. Eu, como nerd autêntico, me sinto extasiado pelo avanço da ciência e da descoberta de que, sim, é possível fazer as coisas. Mas acho que há algo de errado quando do simples "veja, podemos criar um robô que age como gente!" vamos para o "veja, vamos criar robôs para interagir com pessoas, como se fossem pessoas!" Pense bem, quanto tempo levaria para que grupos de "direitos robóticos" começassem a exigir salário aos robôs, ou mesmo para que os próprios robôs começassem a fazê-lo?

Não, melhor prosseguir nesse ramo apenas pela pura curiosidade científica. No campo prático, seria melhor que as máquinas continuassem a ser feitas de forma funcional, com o mínimo necessário para realizar suas tarefas, e sem nenhum conflito ético inerente. Basicamente, assim:

WALL-E

Só que sem os olhinhos de cachorrinho pidão, se possível...