Bom dia e desculpem a demora, essa semana não foi brincadeira. Prova disso foram as três páginas para resolver um exercício na prova de ontem... ufs!
A proósito, este post é um oferecimento Blogpaedia-Respostas.

IA. É um conceito que divide a humanidade há décadas, gerando opiniões favoráveis e contrárias desde os tempos da especulação de Asimov, K. Dick e outros. Hoje em dia, ela é uma realidade, e ainda divide opiniões. E, afinal, o que é a IA?

Em princípio, "Inteligência Artificial" é puramente uma abstração. Não existem alguns componentes da "Inteligência Real" na IA, mesmo porque alguns são simplesmente inimplementáveis(ufa!) até o momento. Mas até onde dá, a IA é bem fascinante.

IA é, puramente falando, um programa que é capaz, de alguma forma e seguindo algum critério, aprender seja pela entrada do usuário, seja pela própria experiência. Um dos métodos mais usados é deixar o programa resolvendo um problema com um banco de dados de possíveis estratégias, até que ele escolha a melhor mistura.

Mas em termos de "inteligência", é só. Ainda não foram atingidos os principais patamares que distinguem a capacidade cognitiva do ser humano da máquina: criatividade e aleatoriedade. Por sua natureza determinística e seu modus operandi básico, através de instruções pré-programadas, o computador não é capaz de criar soluções do nada, ou de tomar decisões sozinho. Tudo o que faz é baseado em dados concretos e já existentes.

Além disso, programas de IA costumam ser incrivelmente especializados. Isso também tem duas razões simples. Primeiro, a abstração algorítmica para se resolver um problema específico — como jogar xadrez, por exemplo — já é muito complexa. Leva em conta várias tabelas de teoria de jogos, algumas matrizes, escolha probabilística de movimentos... imagine, então, uma solução para um problema um pouco mais geral — por exemplo, um computador que jogasse qualquer jogo. Seria necessário levar em conta também a capacidade de adaptação do "cérebro artificial" a cada jogo e suas regras, sem contar as "regras da casa" e possíveis novos jogos. Isso, então, criaria mais e mais clásulas no programa, embora, para esse caso específico, seria mais simples aglutinar cada jogo em um subprograma. Mas imagine, então, o quão impossivelmente complexo seria um programa capaz de, para qualquer questão que lhe é indagada, encontrar uma resposta. Este programa teria de avaliar inúmeros fatores e restrições em número astronômico. Se um dia isso for possível, esse dia está, certamente, muito longe no tempo.

E a segunda é a pequena capacidade de processamento de um computador comparado ao cérebro humano. Sim, você leu direito, um computador é muito menos poderoso do que uma pessoa. Existe uma razão, entretanto, para um computador ser tão imensamente útil e rápido quanto é: especialização. Segundo Hawkins, um processador moderno tem a mesma capacidade cognitiva de um anelídeo. O que ocorre é que, no caso do computador, todo este processamento está voltado para uma só finalidade: realizar operações. No cérebro humano, pelo menos metade — sim, isso é um chute — da nossa capacidade cerebral se divide entre estímulos sensoriais, manutenção corporal e vários movimentos involuntários ou voluntários triviais, como respirar e andar. O que resta para memória e raciocínio é pouco comparado com o que poderia ser usado. De certa forma geral, a alegação de que "o ser humano usa somente 10% do cérebro" tem uma gota de verdade.

E, enfim, a questão fundamental: será que um computador pode pensar como um ser humano? A resposta final, ignorando-se as barreiras do tempo que levará em pesquisas e etcétera é "sim". Algum dia os mecanismos igualmente determinísticos do cérebro serão desevendados e replicados em uma máquina, talvez mesmo um diminuto processador do tamanho de um amendoim. Talvez até sejamos capazes de simular, nessa máquina, os processos subjetivos de criação que inspiram a arte. E o que acontece, então? A máquina subjugará o homem? Certamente que sim. Devemos esperar pela revolução das máquinas? Provavelmente não. "Como assim, Toupeira?" Bem, isso fica para o próximo texto, esse já está grande demais...