Esta já é a terceira vez que tento publicar este texto. Estou tomando muito cuidado para cair no mínimo possível de contradições. É algo que me irrita, e eu normalmente deixo esses assuntos para nosso correspondente obeso e sem coração, mas neste caso tem a ver com blogs, então é mais minha praia. Mas chega de falar de mim, falemos do assunto em questão: deixa eu abrir o panorama praqueles que não estão familiarizados com essa maravilhosa subcultura que é a "blogosfera".

Aliás, já mencionei que tenho calafrios quando menciono esse nome? Há uma certa atmosfera ascética de formalismo e regulamentação nesse termo, sabe? E, assim como criar manuais de conduta para o Twitter, eu acho isso impróprio e indevido. Não que seja totalmente errado, e afinal talvez eu esteja realmente só vendo significados onde não os há. Mas o fato é que o termo é associado especialmente com esse subgrupo denominado "pro-bloggers", onde "pro" é sigla de "profissional". São, obviamente, pessoas que vêem a blogagem como uma profissão, um possível meio de vida com todos seus prós e contras e modus operandi. Obviamente, levam isto a sério, e se tem uma coisa que a internet odeia é levar algo a sério. Em algum momento esta heresia será notada por eles, os guardiões da completa falta de seriedade na rede. Estamos falando, é claro, de trolls.

Neste caso em particular, os trolls são uma estranha subespécie de blogueiro que abomina a idéia de blogagem profissional e especulações a respeito de relevância e conteúdo. Não desprezam, não ignoram, não desgostam. Abominam. E, então, senhoras e senhores, temos o show da noite: o eterno conflito "pro-bloggers" vs. "vira-latas".

Trata-se de um espetáculo onde um lado tenta defender sua legitimidade e orgulho, e o outro simplesmente trata de ridicularizar e deslegitimizar a causa alheia. Não se engane, você como ser humano – e, portanto, apreciador da maldade e do barraco alheios – pode acompanhar as primeiras etapas e achar isto divertido, mas não é. Como todo flamewar, dura muito mais do que deveria, nunca morre definitivamente e você pode ter certeza de que nem um lado nem o outro estão dispostos a ceder. Mas o "mais legal" é: ambos se odeiam tanto, mas tanto, que não conseguem viver um sem o outro.

Porque há poucas coisas tão ridiculamente incoerentes quando o sr. X declarar profundo desprezo e indiferença com relação à sra. Y, mas simplesmente não resistir a postar ou twitar toda vez que a dita cuja faz algo "impróprio" ou "estúpido". Ridicularização periódica, retomada de bafafás antigos... enfim, esta estranha relação dependente de ódio mútuo segue várias linhas, mas invariavelmente se torna enfadonha e chata pra dedéu quando levada a extremos. Principalmente porque isto tudo poderia ser evitado se os envolvidos simplesmente se lembrassem das sábias palavras: "Don't feed the trolls".

Não mencionarei nomes, não acho que preciso, cada qual sabe em qual lado está, ou se está metido no meio dessa bagunça. Ou se não sabe, devia. Eu sei que, depois de me ver forçado a dar uns unfollows temporários até a poeira baixar, eu resolvi parar de ficar calado. Até porque esse tipo de assunto sempre dá ibope e este blog não pode ficar parado. Mas não se preocupem, esta deve ser a última vez. Eu abomino intrigas internéticas, não vou ficar expondo meus queridos leitores a isto.

Sendo assim, aqui é Bruno Guedes, me despedindo. Boa noite, boa sorte, e não alimentem os ogros.