Há algum tempo atrás – sim, eu fiquei por fora dos fatos e perdi a data certa – ocorreu em quase todo o Brasil – e não, não vou falar nada a respeito de se houve ou não recisão do direito de liberdade de expressão – a Marcha da Maconha, um movimento pela legalização do livre uso de Cannabis sativa, e que pelo visto já tem até seu próprio blog. O assunto "legalizar ou não legalizar" é polêmica crônica, o que nesse caso significa que é um daqueles assuntos incômodos que ficam indo e voltado. E sim, eu sou praticamente o Humpty Dumpty do universo dos blogs.

Enfim: legalizar ou não? Existe dois extremos óbvios nessa história, e eu também tenho minha opinião sobre o assunto – e ela é: se alguém não dá valor à vida e quer se matar aos poucos, é um direito –, mas vocês sabem que meu papel é ser ou racional ou conservador, e eu acho que ser conservador não faria o menor sentido, além de que acabaria com o texto agora mesmo. Então, sejamos racionais...

Nunca usei drogas, no máximo um copo de cachaça uma vez por mês. Dizem que faz bem – ou seria vinho? – O que há com a maconha, então? Segundo a legislação brasileira, são drogas lícitas, "álcool, nicotina, cafeína, medicamentos sem prescrição médica, anorexígenos, anabolizantes e outros". O que exatamente são "outros" não pude me certificar. Enfim, tudo o mais são consideradas drogas ilícitas, entrando nesse rótulo a cocaína, o crack, a anfetamina e, claro, a Cannabis.

Mas afinal, o que há com as drogas lícitas? Segundo estatísticas (que não me dei ao trabalho de verificar, falha minha) morre mais gente diretamente por fumar cigarro que maconha, e álcool também é a causa de milhares e milhares de mortes nesse grande país – e em muitos outros, pois sim. E sabemos que, no fim, tudo em excesso faz extremamente mal e mata. O que, então, faz uma droga ser lícita ou não? Eu digo o que eu acho: sindicato. Existe uma grande indústria do álcool – e derivados: cerveja, cachaça, vodka, uísque e afins –, uma gigantesca indústria do tabaco – que, por muitos anos, tentou provar de forma veemente e insistente que cigarro não mata –, mas não existe uma indústria do THC ou da cocaína, por exemplo. Por razões óbvias, a substância já é ilícita, então não dá. Mas se houvesse, muito tempo antes de tal lei vir a ser, elas seriam drogas lícitas? Talvez. Talvez, então, a chave da questão é que as substâncias como o álcool e o tabaco foram apresentadas à sociedade civilizada ocidental há muito mais tempo. Talvez...

Mas legalizar, então, vai resolver todos os problemas ligados ao tráfico ilegal? Pode ser que sim, afinal não haverá necessidade de comércio ilegal de drogas e portanto os traficantes podem se concentrar em, sei lá, contrabando de armas. Sarcasmo à parte, será que a legalizalção é boa? Eu acho que não...

Veja bem, na minha opinião uma das pouquíssimas drogas que pode se dar ao luxo de ser legal é o tabaco, e mesmo assim só com avisos luminosos dizendo "isso mata, imbecil!" nas caixas, e mesmo assim acho reprovável. Mas a questão é que THC, cocaína, anfetamina, álcool etílico, ácido lisérgico, até cafeína... todos são potencialmente psicotrópicos, alguns muito menos do que outros – estima-se que sejam necessárias cerca de 5 xícaras de café seguidas para que haja perigo de desinteria, convulsões e alucinações por cafeína –, mas todos são perigosos por causa exatamente disso – coisa que a nicotina não é; ela é só altamente carcinogênica... – O sujeito bebe, perde a cabeça e mata um. O colega vai, puxa um baseado, fica doidão e cai ribanceira abaixo. O malandro injeta um LSD legal, experimenta "aquela" viagem e se joga de uma construção... sim, eu peguei pesado, mas deu pra entender: isso afeta o cérebro, e não se brinca com o cérebro. Legalizar uma coisa dessas é imensamente irresponsável, na minha opinião, é como dar uma arma carregada de presente para um menino de 8 anos: você sabe que pode resultar em desastre. E se isso não é suficiente, veja: toda droga pode causar dependência, e na maioria das vezes causa. E, estranhamente, ninguém alude muito ao fato. Para não ficar muito grande o artigo, passo minha palavra ao Bruno Pendrassini Pedrassini...

Mas estaria sendo hipócrita se dissesse que não seria problema nenhum, em moderação é tudo desgraça e devia ser tudo banido da face da Terra; afinal, até eu aprecio um bom café umas duas ou três vezes ao dia e uma cerveja de quando em quando, com amigos. Se existisse algum modo de garantir a moderação, é perfeitamente concebível. Como não é, talvez seria realmente melhor que fizéssemos como os muçulmanos com o álcool e proibíssemos de uma vez por todas essas substâncias.

Mas só pra lembrar, minha opinião real sobre o assunto, já expressa lá em cima: se o sujeito quer acabar com a própria vida, que se exploda, é um direito inerente ao ser humano – na minha opinião –, com todas as consequências e implicações do fato, e deve ser feito com consciência. No mais, vai em frente, meu filho, não sou eu que vou te impedir...

Enfim, disse o que tinha que dizer. Agora vou ali tomar minha média de café diária...