Normalmente eu sou uma pessoa razoável, como tantas outras. Uma pessoa com o pé no chão, apesar da minha imaginação hiperativa que insiste em criar e reviver histórias a praticamente todo momento. Enfim, o que quero dizer aqui é que eu sou uma pessoa bastante racional. Simples assim.

O que não é tão simples, entretanto, é que como qualquer outro ser vivo que evoluiu nesse planeta, existe uma parte de mim intensamente irracional que cuida, subconscientemente, dos dois objetivos principais de toda criatura viva: sobreviver e passar os genes para a frente. Basicamente, sim, "crescei-vos e multiplicai-vos". Isso explica, por exemplo, meu medo irracional de carros, motos e outros veículos motorizados – normalmente em movimento e vindo na minha direção –, assim como explica também um desejo claramente irracional de ter um filho – uma filha chamada "Ânima", se possível – entre outras coisas. Mas não explica muito bem outros impulsos mais... bizarros que acontecem durante a noite.

Por exemplo, tenho algum medo irracional de ser atacado no banheiro, pois quando já está escuro eu nunca entro no bnheiro antes de acender a luz e olhar para um lado, outro, atrás da porta e... no teto. Sim, eu sei, é estranho. E não, eu não costumo assistir muitos filmes de terror classe B, acho que é culpa, novamente, da minha imaginação hiperativa. De certa forma já é bom o bastante que eu não tenha medo de coisas que venham da privada. Dizem que Raul Seixas tinha esse problema...

Enfim, outro impulso incrivelmente irracional que tenho ocorre nas noites solitárias. Meu quarto é basicamente o que um dia deve ter sido um depósito, pois fica embaixo da casa e as janleas são meio parecidas com basculantes. Estranhamente, tem um banheiro, mas já estou divagando. A questão é que a sensação de solidão é bastante aumentada pelo isolamento do resto da casa – sempre separado por duas portas e uma escada –, e isso causa um estranho comportamento em mim. Basicamente, meu medo se multiplica por, digamos, dez. É, às vezes eu me sinto o Scooby-Doo.

The Mist Não faz nenhum sentido, aliás, e eu sei muito bem disso. Ontem mesmo eu estava tentando encontrar mais informações sobre "The Mist", um filme baseado num livro de Stephen King, e de repente eu tive o impulso de olhar para trás para – veja só – verificar se não tinha nenhuma criatura ali no quarto. Se eu disser que mesmo na hora eu penso "putz, por que é que eu estou fazendo isso?", alguém acredita? Ah, não, espere, não precisa acreditar. Minutos depois eu escrevi isso no Twitter:

Pois é. Existe muitas outras sensações irracionais inexplicáveis do tipo – como minha contraditória repulsa por lagartas, sendo que eu normalmente adoro lagartas –, de tal forma que é difícil julgar o que é e o que não é, digamos, "normal". No fim, todo mundo tem dessas coisas, porque de perto ninguém é normal. Só espero que algum dia realmente tenha algum tipo de tomate assassino ninja no teto do meu banheiro pra justificar esses impulsos bizarros...

(Adoraria ter a imagem de um tomate ninja aqui, mas por incrível que o pareça é difícil encontrar. Depois eu atualizo)