A febre de sempre, o meme! Pode contar: todo e qualquer blog com mais de dois meses de vida com pelo menos umas 30 visitas(e um autor que saiba fazer um SEO pelo menos decente) já participou de um meme. É aquela coisa básica de um autor em algum lugar cavar um assunto, inventar uma tarefa simples("digite a terceira frase na página 125 do livro mais próximo") ou coisa do tipo e convidar mais bloggers pra participar da brincadeira. É, um meme.

Só que não é um meme.

Parece que alguma coisa se subverteu no meio do caminho entre conceito e coisa, e não estamos ligando a coisa com o conceito direito. "Meme", segundo nossa querida Wikipédia, é:

(...) termo cunhado em 1976 por Richard Dawkins no seu bestseller controverso O Gene Egoísta, é para a memória o análogo do gene na genética, a sua unidade mínima. É considerado como uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro, ou entre locais onde a informação é armazenada (como livros) e outros locais de armazenamento ou cérebros. No que respeita à sua funcionalidade, o meme é considerado uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma autopropagar-se.

"Autopropagar-se". O meme se autopropaga. O que significa que, em teoria, ele não precisa de ninguém para se propagar. Quando você recebe um convite pra participar de algo e convidar mais X pessoas, isso é uma corrente, que tem como fim inevitável morrer por explosão combinatória(não há mais ninguém que não tnha participado) ou quebra de corrente(o convidado se recusa a participar ou convidar mais pessoas).

Ok, isso o Marmota já falou. E faz tempo. Vamos ao que há de novo e "Bruno Guedes" sobre o assunto.

É fato: alguém tem que lançar o "meme", que doravante será referido com aspas, por poder ou não se tratar de um meme no sentido primitivo, conceitual e Dawkiniano da palavra, sendo portanto um proto-meme, mas o nome é muito comprido em relação ao número de vezes em que será repetido, então fica assim mesmo. Enfim, o "meme" não aparece do nada, criado da graça de entidades divinas inexistentes, ele aparece da mente de alguém. Esse alguém publica o "meme". Daqui, o autor pode tomar daus atitudes: esperar que vire um meme de verdade, capaz e autoreplicante; ou forçar a replicação de sua cria.

Como tudo o que faz sucesso pelo menos uma vez, os "memes" se multiplicam às milhas. Or memes de verdade rolam soltos, se procriam até a exaustão e muitos acabam se jogando no precipício. Outros ficam dando cria eternamente(Alguém disse "Chuck Norris/Jack Bauer/Cap. Nascimento/Gol/Interney Facts"?). O resultado de haver milhares de correntes rodando a internet afora é o inevitável Efeito "É Tão Bom Que É Ruim": uma piada interna, um meme local(por exemplo, de uma determinada turma de Computação...), quando lançado na grande internet, compete com outros milhares de memes de sucesso. E dificilmente se destaca, se tornando um "meme" banal, mais um meme que se passa e repassa e ninguém mais se interessa.

Mas é claro, há o fator corrente. Conforme dito, o autor do "meme"(que agora já pode ser considerado realmente um "não-meme") pode tentar forçar a replicação do dito "meme". O que ele faz? Escolhe um número suficientemente grande para um resultado exponencial decente, incluindo defectores; e pequeno o suficiente para que o número de defectores previsto seja idealmente pequeno. 5 é um bom número, por exemplo. Então, ao final de seu meme, ele publica as instruções de participação e adiciona "convide mais X pessoas para participar!". E apela para a compaixão de X pessoas que ele conhece. E o "meme" se propaga.

Não é fazer pouco, é realidade. Um "meme" que não se autopropaga é um meme falido, um pseudo-meme, uma coisinha engraçadinha. É análogo ao viral que não vai pra frente: é "viral", mas não é viral. O "meme" pode ser até legal, mas não tem força sozinho por n fatores. Pode estar à sombra de memes maiores. Pode ser a fama do criador que é insuficiente para a primeira propagação. Pode ser simplesmente muito obscuro. Não se sabe com certeza, assim como nunca se sabe a posição e a velocidade de um elétron.

Mas, por favor, se me convidar para um "meme", não se sinta ofendido se eu não quiser prosseguir com a forçação de barra. É só que às vezes não cola...