ivemos um bocado de animais de estimação em casa nos 21 anos que posso me lembrar. Atualmente são duas cadelas, uma gata e dois cães de guarda do meu pai(que são dois pinchers com nome de dupla sertaneja). Antes de tudo isso, minha irmã tinha um cachorro que era o poodle mais calmo que eu já vi na minha vida, e deve ter tido uns 40 filhos ao longo da vida. Tivemos também um acará selvagem que sobreviveu muito mais tempo do que eu imaginava que um peixe vivesse, e no final acabou comendo o único companheiro que teve(acarás são territoriais? Nem sei...) pouco antes de partir desta pra melhor. Mas isso não inclui um monte de coisas que eu andei criando(mal e porcamente) durante meus anos de vida em Barbacena(e alguns em Belo Horizonte também).

Tive um canário(um gato comeu), um pintinho(todos nós tínhamos, até minha irmã tinha um pintinho, veja que trocadilho horrível), vários girinos(a primeira safra virou sapo e vazou, o resto acho que nunca conseguiu subir à terra), cinco hamsters(4 consecutivos, um bem depois), um beta amarelo(morreu quando voltei de uma viagem no fim de semana e descobri que alguém deixou cair a tampa dentro do aquário, esmagando o coitado), um casal de platis(que deu filhotes), um casal de guppies(que deu muitos filhotes) e um louva-a-deus.

E ele era mais ou menos assim

Não sei qual era a desse louva-a-deus, a memória é nebulosa. Sei que um dia peguei um louva-a-deus num pote de maionese, fiz uns furos(provavelmente esse "fiz" lê-se "minha mãe fez") e ele viveu por algum tempo comigo. Não tinha nome, tenho certeza, mas não me lembro se o soltei ou se ele inevitavelmente morreu de stress de viver confinado dentro de um espaço pouco maior do que ele próprio(não que eu soubesse disso na época). Mas eu tenho certeza de que tive um louva-a-deus de estimação.

O que me faz ter certeza de que tive um louva-a-deus de estimação é a nítida imagem que tenho de quando dei pra ele uma mariposa(dessa pequenininhas, do tamanho da ponta do dedão, no máximo). Eu realmente vi, ao vivo, como come um louva-a-deus. Não é uma imagem significativa, não era em Full HD e nem foi traumatizante(embora eu não tenho certeza se eu já sabia naquela ocasião o que come um louva-a-deus; provavelmente sim). Mas é a cena que me dá a certeza de que eu tive de fato um louva-a-deus de estimação quando era criança.

Considerando minha tendência recente(uns 6 anos pra cá) de esquecer minha vida anterior aos meus 14 anos, essa lembrança provavelmente é mais importante do que parece. Talvez ter tido um louva-a-deus de estimação tenha feito de mim uma pessoa muito diferente do que seria se nunca houvesse tido um louva-a-deus de estimação(embora acredito eu que a relação de causa efeito está invertida: provavelmente é por ser uma pessoa diferente que eu tenha tido um mantídeo de estimação).

Mas, ao menos, isso dá um belo post para um blog pessoal.


Bruno Guedes é blogueiro, ex-universitário e já estava se esquecendo de que pelo menos 1/5 deste blog é pessoal, afinal de contas.