Polêmica, assim como tudo, relativo. Não se pode evitar, portanto, que haja um polêmica diariamente neste mundo de diversificadas visões morais. Entre bruxas e clonagem, ultimamente uma das novidades é a notícia de que, sim, podem ser fabricados espermatozóides femininos. Uau.

A notícia anda na rede, naturalmente. A fonte inspiradore deste texto, entrementes é este post no blog ELA. Segundo informações externas, é possível criar espermatozóides de células-tronco da medula feminina. Deixando de lado que isso não é nada extraordinário, visto que, em teoria, se pode fazer qualquer célula a partir das células-tronco da medula, embora algumas com mais dificuldade que outras, vamos analisar o impacto da descoberta.

Primeiro, a descoberta definitiva de que é possível é muito recente. Até o processo cair nas graças de — sendo otimista — qualquer um que queira se submeter a ele, demorará algum tempo. Não, não é um argumento contra. É um fato. Vasectomia também já teve esse problema, com certeza.

Mas além, o que mais se diz é que, enfim, a utilidade do homem está por um fio. Piadas à parte, não. Verdade seja dita, a sociedade evoluiu uma trolha em relação a, digamos, o século XVI. Não se concebia uma mulher que não se casasse como um "homem de bem". Hoje até mãe solteira tem seu passe livre. Entretanto, a indução nem sempre dá certo, ou provavelmente homens já estariam usando saias sem atrair olhares tortos. Por isso não se pode realmente conceber que, no futuro próximo, a interação heterossexual a dois seja completamente esquecida e repudiada. Em outras palavras, não, não acho que seja realmente provável que algum dia o amor de um homem por uma mulher, juntamente com tudo aquilo que vem depois, suma. Haverá algum lugar para um homem no mundo futuro, isso é certo.

E, claro, há o lado reverso. Se é possível criar espermatozóides de medulas femininas, é possível criar óvulos de medulas masculinas. E se a ciência consegue manter uma pessoa viva através de aparelhos por meses, não pode ser difícil criar um útero artificial para um embrião. Em outras palavras: mulheres podem perder o privilégio de criar vida também. Não que elas queiram, parece que instinto materno é uma das coisas que a evolução cultural humana está matando aos poucos. Mas as ramificações ideológicas são infinitas...