Porta da rua, serventia da casa. Isto não é só grosseria, é um aviso a você e uma reafirmação das nossas liberdades individuais de escrever sobre o que dá na telha. Em outras palavras, se você realmente não gosta deste site, simplesmente vá embora e não precisa avisar que perdi um leitor. Se você não comentar, não fará (quase nenhuma) diferença pra nós; e se for comentador assíduo, vamos sentir sua falta.

A questão é que, em tempos em que o politicamente correto passou de conceito abstrato para moda para regra, 50% de tudo o que é dito ou feito pode ser ofensivo para alguém. Embora haja casos que são extremamente óbvios – como isso, que embora seja hilário pelo nonsense e pela evidente estupidez ou desespero de seu autor, é definitivamente algo nada agradável de se dizer, principalmente pela quantidade de comentários irritados que isto atrai –, há outros que não são. Por exemplo, aparentemente as enfermeiras acham que é ofensivo ser objeto de fetiche, e isto deve ser desencorajado a todo custo. Em outras palavras, mais uma fantasia para riscar da lista de "coisas para dar uma variada na relação"...

É exatamente, portanto, este o problema de se falar e/ou escrever para grande público. A não ser que você seja um malabarista das palavras, alguém vai captar exatamente aquele duplo sentido que você nunca teria imaginado, ou acho que você estava sendo paranóico por pensar nele. Muito frequentemente, o duplo sentido é problemático e, ainda outras muitas vezes, ele ofende um grupo de pessoas por razões que ou ninguém entende direito, ou não têm nenhuma relação com o conteúdo em questão.

Por exemplo, se eu chamar o indivíduo afro-americano que cuida do bar ali da esquina de "negro", alguém vai dizer que estou sendo racista. Eu não entendo como designar uma pessoa por um epíteto que remete à sua coloração relativamente escura de sua pele é automaticamente ofensivo, a não ser para paranóicos anti-racistas que acreditam que isso equivale a acorrentar o sujeito a um tronco e ofender seus ancestrais enquanto aplico 400 chibatas nas suas costas. Isto é um exemplo extremo, mas sabe como dizem, você tem que agarrar a atenção do leitor se quiser ter algum resultado...

A questão é que existem tópicos sobre os quais os cães famintos do movimento PC caem de pau mais rapidamente do que outros. Tocar em alguns deles é, obviamente, pedir pra ter nossa página invadida por vegetais, sejam eles folhosos, frutíferos ou de qualquer espécie que seja. Falar algo de negros, mulheres, homossexuais, indígenas, idosos, autistas, excepcionais, anões ou qualquer outra minoria sem estar devidamente alocado num contexto de enaltação do grupo em questão é praticamente dizer "Capitão, desisto!" É um bilhete de suicídio.

Agora esta é a parte em que eu deixo as coisas bem claras. Não tenho nenhuma intenção de ofender maiorias ou minorias de qualquer forma. Se isto acontecer e não for puramente acidental, juro que avisaremos. Além disso, Garoto pediu pra avisar que se a ofensa vem do Token, ignore. Ele não só não tem papas na língua como é aprendiz na arte do trasguismo – minha transliteração de "trolling"; gostaram?

Entretanto, o que realmente me – "nos", na realidade, mas principalmente "me" – é quando a pessoa não entende que, em termos vagamente específicos, a questão não é essa. Quando eu digo que "meu irmãio judia muito da cadelinha aqui de casa", não faz nenhuma diferença que a palavra "judiar" tenha como origem o termo "judeu", e portanto é ofensivo à comunidade judaica. Da mesma forma, quando eu digo que uma mulher que se preocupa com o efeito do barulho das britadeiras durante a gravidez, mas é fumante, é burra até não poder mais, não tenciono ofender nem as grávidas, nem as mulheres, nem os fumantes, nem sequer aos burros – os animais, que fique claro. A única pessoa que estou atacando aqui é a senhora Melissa Williams, que fique claro.

Eu tinha que ilustrar...

A palavra final: não mais nos importamos se alguém em potencial pode se sentir ofendido com nossos impropérios talpídeos. Nem eu, nem o rapaz, nem Töpo, e principalmente, não o Token. Já o Korso varia... Mas, enfim, não estamos nos lixando para o "politicamente correto". Conforme já disse, não queremos ofender pessoas a torto e a direito, mas se há pessoas que se sentem ofendidas – ou pior, pessoas que sentem que outras pessoas se sentem ofendidas –, ou nos perdoem ou nos ignorem. Há muito pouco a se fazer, a não ser talvez uma retratação em casos extremos. Afinal, reconhecer o próprio erro e tentar corrigi-lo não é uma virtude, é um dever.

E, como precedente, parafraseio Bruno Guedes: "politicamente corretos: vão à merda".