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Boa noite caros leitores. O texto que lerão agora reflete as opiniões dos autores deste blog a respeito deste assunto tão em voga em todo o país: a morte de Isabella Nardoni, a garota de 5 anos que, pelo visto, foi atirada pelo pai pela janela.

Exceto pelo texto anterior a respeito, não de Isabella, mas dos exageros da mídia em casos polêmicos – que, infelizmente, se mostrou incorreto e pessimista visto que o culpado realmente é o pai –, o Garoto pediu que nos abstivéssemos deste caso que, provavelmente, atrairia milhares de visitas diárias a este site. Por razões ideológicas, suponho. Hoje, porém, consegui o aval dele para publicar este texto. Então vamos.

Mas antes, um parágrafo introdutório para aqueles que estiveram vivendo sob uma metafórica pedra. Isabella Nardoni morreu em 29 de março, caída da janela do prédio onde morava com o pai e a madrasta. Investigações criminais intensivas revelam que foram os dois a matá-la, primeiro por estrangulamento e posteriormente ela foi atirada do sexto andar. Enquanto isso, os dois negavam veementemente a culpa no caso, o que aparentemente é um caso de mentira patológica, visto que tais alegações simplesmente não fazem sentido após a investigação. Mas quem sou eu pra julgar...

Entrementes, no meio termo o Brasil inteiro acompanhou cada pormenor da investigação, cada detalhe, cada minúncia insignificante do caso. Hoje, um mês após a morte da menina, a Rede Globo ainda comenta o caso exaustivamente em seus noticiários. E pelo país afora pessoas comentam como são monstros esses pais e como eles devem sofrer e apodrecer na cadeia pela morte dessa menina, e homenagens brotam pela Internet afora.

A metafórica equipe deste blog deseja deixar claro que, sob hipótese alguma, considera o caso como insignificante. Que sim, nos importamos e achamos que foi um crime horrível. E que, sim, nos sentimos condoídos pela morte de uma criança de tal maneira. Entretanto, em vista das circunstâncias, do auê geral e da exaustiva cobertura do caso, este autor tem o dever de dizer uma frase pessoal. Preparem-se para me insultar de monstro pra baixo, pois aí vai.

Por favor, deixem a Isabella morrer em paz.

Sim, você leu exatamente isso. Chega. Acabou. O caso foi resolvido, o pai e a madrasta estão presos e pagando por essa monstruosidade e Isabella já está morta. Me desculpem a frieza, mas este é meu trabalho: ser racional. De que adianta, eu me pergunto, rodearmos o corpo de Isabella como abutres atrás de uma história que já aconteceu e não pode mais ser desfeita? Se os culpados já foram agarrados, porque prolongar o sofrimento da família comentando o caso de duas em duas horas em rede nacional? Não chega? Não é suficiente?

E além do mais: porque toda a atenção exclusiva? Por ano, morrem 36 crianças por queda de edifícios ou estruturas altas. 36. Isso é praticamente 3 crianças por mês. Uma semana após o caso Isabella, um bebê de 8 meses foi atirado de uma janela em Matozinhos. Onde estava a imprensa para cobrir o caso? Cadê as homenagens em blogs e vídeos para elas? Por que tanta gente que nunca se importou agora se importa com Isabella e, talvez, com outras crianças que morrem por quedas de tais alturas? Por que ninguém se importa com as anônimas vítimas de assaltos, assassinatos mandados e outros crimes que ocorrem todos os dias em todo o país?

Me desculpem, mas isso me parece hipocrisia e morbidez. Já passa muito tempo e o caso já foi resolvido. Há muita coisa importante no mundo e outros casos que precisam ser resolvidos, e verdades que precisam ser ditas, e notícias que devem ser noticiadas. Coisa mais importante, creio eu, do que a reconstituição de um crime que, não fosse a audiência que gera, não seria mais do que um crime comum.

Pronto, falei. Agora podem nos jurar de morte, ou insultar nossa ignorância e descaso, ou simplesmente comentar. Estamos aqui pra ouvir.