Okay, não vou ser radical. Ética e etiqueta sempre é bom — aliás, acho que as duas palavras têm alguma ligação... ham... —, e eu odiaria viver num mundo repleto de porcos insensíveis pra tudo que é lado. Mas vou beirar o "Töpo style of life" quando digo que, venhamos e convenhamos, frescura tem limite.

Eu sei, eu sei, é extremamente desconfortável ouvir uma piada de negro/homossexual/judeu/árabe/japonês/turco-libanês/loira/papagaio e, o que é pior, sentir graça. Quando se tem um certo mínimo de corretez política, soa péssimo. Só mesmo em círculos fechados, e com a famosa prerrogativa "não sou preconceituoso, não tenho nada contra, mas eu ouvi essa piada um dia...". Saudável, ajuda as pessoas a terem uma convivência minimamente amigável, afinal o ser humano é um ser sociável, mesmo que eu simplesmente não seja. Mas, voltando ao assunto, frescura tem limite.

Em mais um de seus quadrinhos geniais, Karlisson, AKA Nerdson, faz uma piada genial com uma linguagem que merece ser chamada de esotérica, a Whitespace. Visitem o post para mais informações, esta não é a hora nem o local. O que é mais importante é o que estava — estava, ele preferiu voltar atrás antes que desse mais problemas — escrito logo no primeiro quadrinho:

Olegário Hiato, autista, surdo-mudo, manco e cego do olho direito.

A essa altura você já deve ter seguido o link e dado uma olhada no sujeito. Pois bem, um comentário menciona que a menção ao termo "autista" poderia ser ofensivo associada à imagem presente. A pessoa em si era até sensata, foi só um aviso antes que a coisa explodisse. Mas, como diria nosso amigo Töpo, "Sejamos racionais..."

Até o momento(o post data de alguns meses atrás), ninguém reclamou a respeito da imagem ofensiva aos surdos-mudos. Ou aos mancos. Ou aos cegos do olho direito. Pergunto eu: por que cargas d'água a preocupação a respeito do autismo? Compreendo, a mente humana é uma caixinha de surpresas, por razão nenhuma faz mágica com conclusões inesperadas, e autismo é algo considerado — por razões que não vou divagar a respeito — mais sério, mas poxa! Que há, realmente, de mal? Há — ou melhor, havia — alguma menção específica ao fato de ele ser autista? A piada era sobre isso?

A resposta: um grande NÃO! É irrelevante. A piada não é sobre isso. É sobre Whitespace. Sobre o fato de que whitespace usa espaços em branco. Desse ponto de vista, é mais relevante o sujeito ser surdo-mudo que autista.

E, repito: até agora não ouvi reclamações da Associação dos Cegos do Olho Direito...