Me dei a obrigação de escrever um texto de reconhecimento ao Natal. Explico já o porque de "reconhecimento". Dei a mim essa incubência, ao invés do onipresente Token, ou mesmo do nosso querido verborragista oficial, Korso Asclepius, porque afinal de contas o blog é meu. Eu tenho que fazer alguma coisa nessa joça.

Então vocês devem estar pensando o que eu, Bruno Guedes, recém-autoreconhecido misantropo, acha do Natal. Nada bom, vocês devem supor, afinal essa época é basicamente o inferno na Terra, com shoppings lotados, festas e blá blá blá. Tá, chega, deixa eu falar agora. Não. Eu tenho o incomum mal de pensar demais nas coisas, minha questão particular com o Natal não tem nada a ver com misantropia, tem mais a ver com religião. Mas mesmo assim, eu e ele vivemos bem.

Não é só porque o Natal é um feriado fabricado sobre uma antiga celebração pagã em honra ao solstício de inverno na época da expansão cristã na Europa1 que eu vou me esquecer das boas coisas que estão relacionadas a ele. Creio que não existam muitos motivos que façam uma família de... trinta e tantas pessoas se reunirem em festa. Sério, tem gente que mora nos EUA, gente, não é simples assim. É inevitavelmente uma fonte de boas memórias. E além disso, tem o "espírito natalino".

Enfim, como misantropo semi-profissional, se existe alguma coisa capaz de despertar alguma coisa de bom na humanidade – diferente de seu estado natural, nada agradável de se apreciar –, eu dou as boas-vindas. O fim de ano é sempre aquela época em que as pessoas contemplam se tornar gente melhor, com objetivos nobres(ou não), e mesmo que, quando chegar o Carnaval, tudo volte a ser a balbúrdia selvagem e nojenta que o mundo é no geral, pelo menos foi bom enquanto durou.

E eu festejarei comigo mesmo a globalização do espírito natalino. Com Jesus ou sem Jesus, já é um bom avanço.

Então, um feliz Natal. E mais tarde falamos do Ano Novo.


1 Só pra avisar: eu não vou discutir a veracidade dessa informação ou a data de nascimento de Cristo nos comentários. Não comece.