Publicidade é uma coisa maravilhosa. Não preciso descrever o processo pelo qual se dá a negociação, avaliação e subsequente efetuação da publicidade em si. Vocês reconhecem publicidade quando vêem, corret?

Bom, acreditem ou não, nos requisitaram um texto publicitário básico. Nos enviaram um bocado de informação – muito embora grande parte dela teve que ser literalmente caçada, leiam logo mais – via email – e pasmem, usaram o mal falado e mal usado formulário de contato – para Bruno Guedes, que repassou a tarefa para mim. Porque essa pretensa publicidade toda é para um filme. Com vocês, o teaser.

E uma sinopse. Só pra começar.

Os Desafinados é um filme brasileiro dirigido por Walter Lima Jr e possui um elenco estrelado por Rodrigo Santoro (Joaquim), Cláudia Abreu (Gloria), Selton Mello (Dico), Alessandra Negrini (Luiza), Ângelo Paes Leme (Davi), Jair Oliveira (Geraldo), André Moraes (PC). Sinopse: A história se passa na década de 60 quando um grupo de jovens músicos e compositores parte para Nova York em busca da realização do sonho do sucesso. Juntos, estes músicos formam a banda Os Desafinados e integram o movimento transgressor musical brasileiro: a Bossa Nova. O filme ganha muita importância por tratar do nascimento da bossa, dos ideais da época, dos sonhos da modernidade. Como pano de fundo, a história política brasileira se faz presente nessa comédia romântica, filmada na cidade do Rio de Janeiro e em Nova York.

E além disso, eles têm um site(www.osdesafinados.com.br), todo feito em Flash, com áudio desligável, menus que se expandem e retraem... tudo como manda a Web 2.0. E este site tem um bocado de informação também. Além das padrões fichas técnicas, com elenco, direção e produção, um trailer – melhor que o teaser, vale a pena ver pra ter uma idéia melhor sobre o filme –, um making-of – que não cheguei a ver inteiro –, ainda tem um monte de informação para imprensa e divulgação, incluindo um press book de 36 páginas – o press book é um PDF comprimido dentro de um ZIP; ninguém é perfeito –, contendo sinopse, referências a eventos no filme, falando da música, entrevistas e – por incrível que o pareça – algumas críticas. Só faltou nos mandarem um script e convidar pra pré-estréia – nunca é demais sonhar. O que nos coloca basicamente o único e maior problema a respeito desta divulgação: nós não vimos o filme.

Mas prossigamos. É um filme brasileiro, do gênero que chamo de "ficção histórica": trata-se de um antigo – e fictício – conjunto de bossa nova que se reúne após 40 anos para a filmagem de um documentário sobre o titular "Os Desafinados". Daí a história volta aos anos 60 e conta toda a trajetória do grupo que vai para os Estados Unidos depois de serem rejeitados pelo empresário responsável pelo concerto no Carnegie Hall em 1962. Depois de experiências intensas e musicais, o grupo volta para o Brasil pós-Golpe Militar, e mais experiências chocantes marcam a vida dos integrantes. Como quase todo bom filme brasileiro de ficção intensa, temos um triângulo amoroso – e, antes que perguntem: não, não sabemos quanto sexo é mostrado no filme; podemos imaginar que pelo menos uma cena de praxe – e a morte de um dos protagonistas, e só para adicionar tensão, envolve um desentendimento político.

Enfim, vamos ao que importa: o filme é bom? Não sabemos com certeza, mas parece que sim. Você deve assistir? Aí eu já não posso garantir nada, mas digamos o seguinte: se você gosta de cinema, especialmente o cinema brasileiro atual, ou da história cultural do país, ou mesmo do Selton Mello... enfim, se você estiver disposto a apreciar um filme sem grandiosas expectativas, muita sorte e apoiamos. Acredito, do fundo de meu coração, que não será uma perda de tempo total.

Mas se você só vai ao cinema – se é que vai e não resolve agir por vias, digamos, "alternativas" – para assistir as grandes produções e blockbusters de época, não recomendo. Não é uma superprodução nem um show de efeitos com um grande nome do cinema internacional por trás, logo não podemos garantir a satisfação.

Em curtas palavras: se você estiver disposto a se arriscar, vá em frente. Se não quiser correr os riscos, fique em casa. De qualquer forma, sai aos cinemas no dia 29 de agosto. E se der tudo certo, a gente vai dar uma conferida.

ATUALIZAÇÃO: Bruno Pedrassani assitiu ao filme e nos dá alguma opinião mais concreta. Ainda bem.