Efeito Borboleta(Butterfly Effect) é um desses vários sucessos lançados há algum tempo que só tive o prazer (ou desprazer) de assistir recentemente. Mais exatamente, na semana passada.

O filme, nesse quesito, pertence a outra classe de filmes, aqueles aos quais assisti a sequência antes do primeiro. Ou segundo, em um caso. Para minha pessoa, em particular, não há problema algum nisso, visto que eu não me importo em saber o final ou o que seja. Em alguns casos, conhecimento à frente é ainda mais estimulante e o que importa é como a história se desenrola, e não exatamente seu desfecho. Pelo menos, é no que acredito. Mas voltemos a "Efeito Borboleta".

É tarefa deveras difícil resenhar filmes sem revelar pontos importantes e vibrantes da trama, mas no caso de "Efeito Borboleta", é impossível. Se não o fizermos, será apenas uma resenha superficial a respeito de uma história da qual não podemos falar, efeitos especiais que não podemos mencionar e sacadas geniais que não podemos contar. Então, lá vai.

Evan, o personagem principal interpretado por Ashton Kutcher, é capaz de voltar no tempo. Pronto.

Enfim, o primeiro e importantíssimo aspecto que se deve ressaltar é que lidar com viagens no tempo é sempre problemático para Hollywood. Tanto que este crítico já desistiu de tentar fechar os buracos causados pela incompetência dos escritores a respeito do assunto(mais sobre quando comentarmos "A Casa no Lago"). Entretanto, a regra mais importante das viagens no tempo, criada talvez em "De Volta Para o Futuro", o primeiro grande sucesso a tratar do assunto assistido por esse autor, foi quebrada logo de início, embora isso só seja perceptível bem no meio da narrativa. Trata-se, meus caros, de consistência.

Consistência é algo que não deveria ser difícil de tratar logo no roteiro do filme. Trata-se de evitar uma coisa muito comum que eu chamo de "Loophole Temporal". Na maioria das boas obras sobre o assunto, existe um consenso de que* ou o herói voltou no tempo e efetivamente causou sua viagem no tempo, e protanto temos um laço temporal estável;* ou o herói muda o passado, causando mudanças no futuro. Normalmente isso gera um paradoxo, mas podemos facilmente ignorá-lo até o final do filme.

Efeito Borboleta, entretanto, não foi tão cuidadoso. Existem trechos que são causados pela viagem no tempo intercalados de outros que só seriam possível se não houvesse viagem no tempo. E isso ainda na primeira instância da história, que teoricamente seria vazia de viagens no tempo, ou seja, foi como as coisas aconteceram. Entretanto, avançando mais no filme, vemos que, na realidade, os eventos que vimos só foram possíveis porque ele efetivamente voltou no tempo e mudou o passado, embora não devesse ser o caso. Enfim, uma confusão dos diabos.

Entrementes, talvez a maior falta dos escritores sobre o assunto é a parte em que ele volta para o primeiro blackout – ou seja, a primeira ocorrência de uma viagem no tempo – e vemos como ele efetivamente causou os eventos narrados no início no filme. Mas perceba, que ele não causa apenas os eventos narrados, mas outro de imensa importância. Apenas para mencionar, ele fere seu corpo de tal forma que ainda há uma cicatriz quando ele é adulto. Convenhamos, isso é imensamente inconsistente se você pára pra pensar.

Mas deixemos essas picuinhas de lado, o assunto é realmente complicado pela sua natureza. O que importa é o enredo do filme, e é realmente bom. As implicações de cada mudança efetuada por Evan no seu passado são sensacionais e, se você tiver a chance, assista ao final alternativo, pois ele é realmente muito melhor do que o normal, sobretudo do ponto de vista filosófico.

O que me intriga mais, entretanto, é porque tanta gente insistiu que o segundo filme não era tão bom quanto o primeiro. Uma das razões alegadas era que o método de viagem no tempo foi alterado. Entretanto, por que não seria alterado? Se não fosse, o que restaria, a não ser uma extensão do primeiro filme? E, enfim, ele não foi alterado. Se assistir ao final de EB com atenção, verá que, na verdade, o método é o mesmo, mas usando outro meio. E não há nada de problemático com isso.

Além disso, a história do segundo me pareceu tão boa quanto a do primeiro, embora há que se concordar que as motivações do personagem principal em EB2 são com certeza questionáveis, enquanto que em EB Evan tem claramente boas intenções. E talvez o único ponto realmente decepcionante é que não se adiciona nada à mensagem já presente no primeiro filme.

Considerações Finais: Vale a pena assistir, é um bom filme, com certeza. E se tiver a chance, assista "Efeito Borboleta 2", também. Creio que não será uma total perda de tempo.