Peço desculpas pelo incrível atraso. Quando fomos assitir WALL-E, não era nem meio de Julho, e só agora consegui terminar a resenha propriamente dita. Sem mais delongas, lhes apresento:

WALL-E

Resenhar animação da Disney-Pixar é complicado. A não ser por algumas coisas(o enredo, de vez em quando), é difícil ceder à tentação de dizer "Maravilhoso! Estupendo! Magníííífico" logo de uma vez e ir escrever uma tese de mestrado ou coisa assim com o tempo livre. Então vamos por partes.

O trabalho gráfico da animaçao não deixa a desejar de forma alguma. Os cenários, os personagens, as catástrofes naturais... tudo feito com a maestria de sempre. Incluindo algumas cenas que parecem ter sido feitas simplesmente para dizer "olha o que a gente consegue fazer!", e são fascinantes ainda assim. E WALL-E tem um aspecto interessante, de que o cenário parece incrivelemente real, sobretudo as paisagens terrestres. Embora os personagens – sobretudo os humanos – tenham uma aparência um tanto "cartunesca", o cenário é, definitivamente, foto-realístico e extremamente convincente.

Os personagens são um caso à parte. O casal principal, dois pequenos robôs de origens e objetivos diferentes, foram desenhados de tal forma que refletem um gap tecnológico-estético entre eles. WALL-E, criado na Terra de 2000-e-coisa, tem uma aparência mecânica e funcional, sem praticamente sombra de qualquer design se respeito. EVE, por outro lado, vinda de um futuro distante – que é o presente do filme, mas isso não importa –, reflete a noção básica do futurístico Macintoshiano, o que é simplesmente evidente ao se compara a pequena robô flutuante com, digamos, um iMac que seja.

O enredo é bom, não poderia dizer que não. A história se dá por volta do século XXIX, 800 anos depois da Terra ter sido evacuada por excesso de lixo produzido pelo consumismo humano. Dos robôs que foram deixados para trás para cuidar da limpeza sobrou apenas um, que é WALL-E. A rotina de WALL-E – que involve compactar e organizar o lixo, revirar as montanhas de sucata em busca de quinquilharias e cuidar de uma pequena barata de estimação – é um dia perturbada pela chegada de um robô através de uma nave vinda do espaço, e esse robô é EVEEVA na dublagem brasileira. Daí o enredo segue em um estranho épico romântico protagonizado por duas máquinas, que vai da Terra até o espaço sideral. Sem mais detalhes, vamos continuar tentando comentar sem grandes spoilers, sim?

Enfim, o que é expecialmente impressionante e, em minha opinião, uma grande sacada original, é que o filme, por pelo menos uma boa meia hora, não tem diálogo. Fora a emissão de sons de WALL-E e EVE que parecem palavras, mas ainda assim não há um diálogo estruturado, o que ainda assim torna toda a sequência impressionantemente expressiva. Exibicionismo exacerbado por parte da equipe criativa ou não, eu sinceramente gostei!

Enfim, vale a pena. A essa altura do campeonato não se encontra mais nos cinemas, então se você não viu alugue. A não ser que você simplesmente não goste de animação ou Disney/Pixar em particular. Nesse caso, não alugue. É óbvio que não é para você...