Em primeiro lugar, se você está se perguntando o porquê desta onda de resenhas, é porque as estatísticas não mentem: uma das páginas mais visitadas deste site é a resenha de Efeito Borboleta 2. Então, como diz a canção, "todo artista tem de ir aonde o povo está", e obviamente dar ao povo o que ele quer. Resenhas, eles querem, resenhas, eles terão.

Em segundo, o teor desta resenha não é humorístico, por incrível que o pareça. Há quem faça este tipo de resenha melhor do que eu, realmente estou apenas sendo sincero, a despeito das hipérboles e ocasionais figuras de linguagem.

Sem mais delongas, vamos aos filmes.

Cubo

Cubo

O filme Cubo foi lançado em 1997, dirigido por Vincenzo Natali. Trata-se de uma história sem muito enredo, cenário repetitivo e um myhtos interno nada claro. Entretanto, é um bom filme. Bom, pois apela a pelo menos dois grandes grupos de fãs: apreciadores de filmes onde os protagonistas morrem um a um, de mortes variadas e nada sutis; e apreciadores de thrillers independentes nos quais pouca ou nenhuma explicação é dada sobre o que afinal está acontecendo. Ademais, não é necessariamente horrível, e, se muito, apela à imaginação do espectador, que invariavelmente será levado a imaginar o que diabos está acontecendo, e por que. E, tendo dito tudo o que eu tinha para dizer de bom sobre o filme, vamos à sinopse.

Cinco pessoas – ou seis, se você contar o sujeito que morre logo nos primeiros minutos do filme – se vêem em uma espécie de prisão cúbica, formada por vários aposentos cúbicos, a maioria dos quais contém armadilhas mortais dos mais variados calibres. Obviamente, o grupo se desmantela aos poucos e apenas um dos prisioneiros sobrevive, mas eu não vou estragar o filme contando qual.

Enfim, vamos aos fatos podres: a premissa é simples, e por isso soa pobre, gerando mais perguntas do que respostas na cabeça do espectador. O tema "grupo no qual os integrantes se voltam contra si mesmos" já é batido e, ainda é levado a um extremo mais irritante quando um de seus membros fica, de alguma forma, bêbado de poder e resolve tomar as rédeas com consequências trágicas. Finalmente, qualquer um com conhecimento básico de matemática provavelmente terá calafrios ao ver uma suposta conhecedora do assunto tentando descobrir se um número par é primo1.

Mas não é, eu diria, uma merda. Vale uns 90 minutos de desocupação em um fim de semana tedioso, especialmente em boa companhia. E, claro, se você curte suspense, poderá até nem se importar com os furos presentes ao longo do filme.

O que não é bem verdade, entretanto, para nosso próximo filme...

Hipercubo

Cubo 2: Hipercubo

Cubo 2: Hipercubo pega a premissa do Cubo original e, digamos, eleva-a ao quadrado. Foi lançado 6 anos após o primeiro, dirigido por Andrzej Sekula. Se você não percebeu, são dois diretores distintos na mesma franquia. Se você acha que tem tudo para dar errado, quem sou eu pra discordar?

A sinopse é igualmente simples: um grupo de pessoas em uma espécie de prisão formada por cubos interligados, se unem para tentar sair dali e um deles enlouquece e começa a carnificina. A diferença fundamental é que se trata não de um cubo, mas um hipercubo. Ou seja, um cubo em quatro dimensões. O que isso significa, em termos práticos, é uma pletora de alucinações geométricas e temporais sem nenhuma explicação além de "anomalias dimensionais".

Sendo sincero, acho que algo deu muito errado durante a produção do filme. Eles tem efeitos impressionantes e um cenário definitivamente misterioso, mas o enredo é pobre. Ou talvez até podre. Aparentemente ninguém percebeu que o meme "integrante louco assassina o resto do grupo" não é agradável, plausível nem popular, pois eles praticamente cortaram todo o enredo que estava se desenvolvendo sem dó para pular para esta parte "mais emocionante". E, no final, um anti-clímax: nada se explica, e o único sobrevivente... complete a frase com o verbo mais óbvio, eu sei que você vai acertar mesmo sem eu contar o fim.

Para ser justo, o final alternativo oferece alguma explicação, mas é um final alternativo. Por que cargas d'água não o fizeram oficial, é uma pergunta que não cabe a mim responder. E tem uma cena de sexo, que rapidamente se transforma em mais uma alucinação induzida por anomalia geométrica, portanto não acho que o filme compense nem por isso. Sim, estou dizendo com todas as letras: não assista. A não ser que você tenha algum prazer em se aventurar por caminhos condenados, metaforicamente falando. Ou gosta de efeitos especiais jogados aleatoriamente. Caso contrário, mantenha distância.

E não fuja correndo aterrorizado ainda, temos mais um filme na série...

Cubo Zero

Cubo Zero

Serei extremamente sincero e direi que não terminei de assistir a este filme. Portanto, esta parte final da resenha ficará por conta de especulações e trechos da wikipedia.

Cubo Zero, aparentemente, explica pra que diabos serve este maldito cubo. Na prática, entretanto, creio que nada é explicado direito, o que me faz pensar se este filme não teria um dedo do J. J. Abrams... enfim, a história é contada de dois pontos de vista diferentes: o de uma prisioneira e dos operadores do cubo. Sim, o cubo tem operadores, o que, ao menos, já é uma pista nebulosa.

Enfim, o filme começa prometendo bastante, mas prossegue, até onde eu pude ver, se esquivando de explicaçõe claras e conclusivas. Não é para menos, claro, afinal se os outros dois filmes anteriores se recusaram a dar alguma, não era o terceiro que iria quebrar a regra. O ponto central parece ser o conflito moral vivido por um dos operadores, que por alguma razão se deixa levar por algum sentimento de compaixão pela outra personagem principal, que está dentro do titular cubo-prisão.

Enfim, eu gostaria de dar alguma informação conclusiva, mas o medo condicionado criado por Cubo 2 me impediu de aproveitar o filme em toda a sua narrativa. Não ouso recomendar tal potencial de ruína a meus leitores, visto que temo uma possível invasão de leitores raivosos a este site. No mais, assista por sua própria conta e risco, e espero que possa apreciar toda a profundidade e suspense que o filme oferece...


Enfim, aqui termina esta resenha. É humilde, mas rápida. Mas caso você tenha ligado o "TL;DR", aí via: assista o Cubo se quiser algum estímulo mental com suspense e nenhuma expectativa de explicações mastigadas. Mantenha-se longe do maldito Cubo 2, e, se estiver disposto, arrisque-se no Cubo Zero por alguma sombra de explicação.

Aqui é Korso Asclepius, dizendo: vai com fé, e mantenha a sanidade.


1 Dica: todo número par é divisivel por 2. Logo, não é primo. Simples assim.