Em momentos de crise, devemos nos agarrar às oportunidades que aparecem, e, no meu caso, trata-se de uma crise criativa: a inspiração para escrever está à míngua. Sendo assim, me agarro às idéias fugidias que passam pela mente de quando em quando. Neste caso, o fato de uma das páginas mais visualizadas deste site ser uma resenha também contribui para esta que é mais uma resenha de webtira. Desta vez, um épico surrealista, como o título indica.

Rice Boy

Rice Boy, de Evan Dahm se passa em um mundo não especificado, em época também não específica. Trata-se, em suma, de uma história em "era uma vez", mas bem mais elaborada. Trata-se, como já disse, de um épico em 40 capítulos e quase 440 páginas de quadrinhos simples, mas que nem por isso deixam de ser fantásticos. Retomando a sinopse, Rice Boy, o titular protagonista, é procurado por TOE e Calabash, dois estranhos seres(se é que há algo normal nesta história) cuja missão neste mundo é procurar um messias que reestabeleça a ordem no mundo. A princípio relutante, ele se vê compelido a ir atrás de sua missão, e sua jornada será repleta de obstáculos, surpresas e personagens únicos.

A arte não é demasiado rebuscada, mas ainda assim fantástica. Os cenários e seres que os habitam parecem frutos de algum tipo de sonho ou alucinação Carollística, tudo incluído em uma mitologia e cosmologia própria que é explicada talvez somente o bastante para que isto tudo não pareça simplesmente aleatório. É possível perceber que por trás dessa história mítica há uma mente imaginativa e frutífera, e é talvez impossível não se maravilhar com os encantos desta história tão universal, mas também única.

Rice Boy, o herói

A história trata de um herói relutante porém determinado, que, a duras penas, conhece a si mesmo nas longas trilhas tortuosas do relato. Em paralelo, seu inspirador luta contra seus próprios demônios, desenvolvendo uma história secundária, mas sem a qual seria impossível completar o épico. São jornadas emocionantes que ou estão repletas de significados ou talvez não tenham nenhum, mas nem por isso perde seu valor, pois mesmo sendo "apenas uma história", as emoções estão ali, claras e penetrantes. Rice Boy, o herói diminuto que, segundo ele próprio, sabe apenas criar plantas, assistir os pores do sol e ouvir histórias enfrenta sua jornada talvez não com competência, nem conhecimento de seu próximo passo, mas com alguma determinação de origem desconhecida. Em algum ponto ele se torna um arquétipo de herói inválido, menos motivado e capaz do que os personagens que o apóiam, mas mesmo assim amável. O que é, aliás, uma perspectiva bastante atraente para um épico desta natureza.

Resumindo: é uma história linda e vibrante, com personagens únicos e um cenário de sonhos(e pesadelos, ou pelo menos um), e – como não poderia faltar a uma boa história – um final surpreendente. E está disponível inteiramente online em todas as suas 439 páginas, então aproveite, pois não só é bom como também de graça.

Aqui é Korso Asclepius, compartilhando com vocês mais uma maravilha que eu encontrei por aí.