Saiu no Terra — mas a notícia chegou até nós pelo MeioBit Games —: sujeito mata uma criança e a mãe dela porque o pirralho o atrapalhou num videogame.

"Caralhas", uma pessoa qualquer pensa, "esses tal de 'vídeogueime' são um perigo pra sociedade!". Mas se você não pensou nisso, acredito que tenha pensado em outra linha de raciocínio mais racional: "Psicopatas são realmente um perigo pra sociedade".

"Psicopata", segundo definição mais ou menos oficial, é uma pessoa que não compreende ou simplesmente ignora valores morais. Alguns ou todos. Um sujeito que, numa fila de banco, se irrita porque está há mais de uma hora esperando o maldito office-boy que chegou na sua frente pagar as quarenta mil contas da empresa e mata o sujeito com cinco pancadas direto no balcão e cinco segundos depois se dirige ao caixa com sua modesta conta de telefone e o dinheiro para pagar com a cara mais inocente desse mundo é um psicopata. Um caso extremo, mas é mais ou menos assim.

Em linhas gerais, um psicopata mata porque é a solução mais simples ou mais óbvia, ou que corresponde melhor à sua furstração. O tal Luigi matou o menino porque perdeu no jogo e descontou a raiva no moleque, sem pensar que uma pancada daquelas provavelmente ia matar ou até aleijar o garoto. O rapaz de Columbine, atirou nos colegas porque era a maneira mais prática de acabar com a chacota. E por aí vai... O que realmente é um problema nesses casos, entretanto, são duas coisas.

Uma: a notícia dá a entender que a causa do comportamento violento é o gatilho que incitou a violência. Ou nem incitou, estava apenas passando por ali. Sobretudo se a coisa é nova e ninguém se importa em pesquisar. Ninguém se importa em fazer um estudo sobre o psicológico do sujeito, ou outros fatores que poderiam ser, muito mais logicamente, causas do assassinato. Veja o caso de Aline Soares, a garota de Ouro Preto. A mídia "pôs a culpa" — a mídia realmente não faz nada, diretamente, só deixa as lacunas para o povo interpretar o que ela quer... não a faz menos culpadas, mas tecnicamente... — no RPG. Depois que aprofundaram as investigações, a menina morreu por dívida de drogas. Alguma retratação? Claro que não, a "mídia tradicional" não erra...

(Nota: papo de blogueiro, eu sei. Mas convenhamos, eles são assim, mesmo... as exceções são raras até o momento)

E duas: se o fator crítico fosse alguma coisa não controversa, não haveria comentários. Imagine a manchete: "Garoto se torna assassino inspirado em notícias de jornal", ou "Mulher mata cinco porque não conseguiu comprar seu CD favorito de MBP"... claro, a única exceção é futebol, mas só porque é tão gritante que não dá mais pra ignorar...

Está tudo na mente, amigos. Na mente do leitor e do perpetrador do crime. E de todos nós. Como diriam os que não se importam: "É tudo psicológico"...