desprezo: s. m. 1. Nenhum caso (que se faz de alguém ou de alguma coisa). 2. Falta de apreço. 3. Objecto! de desprezo.

Entendeu? Espero que sim, porque o texto de hoje é sobre isso.

Eu não aprecio o desprezo nem mais nem menos do que qualquer outra emoção negativa que leva as pessoas a fazerem coisas estúpidas das quais se arrependerão mais tarde. Mas, especialmente, seria bom se as pessoas parassem de interpretar um conceito tão simples da maneira errada. Veja bem: desprezo se caracteriza pelo extremo pouco caso que se faz de alguma coisa. Não se caracteriza por falar desta coisa abertamente aos quatro ventos com paixão e ódio inigualáveis. Prinicpalmente, não se escreve um texto enorme a ser publicado na internet sobre seu objeto de desprezo, isso não faz nenhum sentido.

Eu sei o que você está pensando. Está me chamando de toupeira obesa e hipócrita, preparado pra descer até o formulário de comentários e transformar esses pensamentos em palavras, não? Pára. Volta. Continua a ler o texto. Isso não é hipocrisia, eu não desprezo gente que não entende qual é o significado de desprezo. Não é que eu não ligue pra isso, porque eu ligo. E me incomoda. Especialmente por que o tipo de gente que se mete a esse tipo de desprezo é irritantemente egocêntrica. É uma das razões por que intrigas na internet são tão espetaculares, porque não são pessoas discutindo: são egos. Egos inflados que se recusam a deixar a situação ser resolvida, a não ser que seja favorável a ele. E, já que estou falando disso, é interessante ver o quanto essa tal pessoa despreza algo que ela simplesmente não consegue parar de mencionar e repudiar.

Em resumo: imagine um sujeito que não assiste televisão. Ele diz que não assiste porque não liga, mas não pára de falar nisso. Ele está sempre te lembrando que não se importa a mínima com televisão. E ele poderia ficar falando horas sobre porque e o quanto ele não liga a mínima para isso. Isso faz sentido? Você quer mesmo conviver com essa pessoa?

Então fica a dica: se você despreza algo ou alguém, fale de outras coisas ou pessoas. Se isso é tão difícil quanto "não pensar em um camelo", então provavelmente não é desprezo.


Töpo Talpos é editor de blog, cronista amador e não liga a mínima para as novas regras de ortografia da língua portuguesa