Depois de ler este texto no blog do Sr. Pedrassani – aliás, tomem alguns minutor para ler também, é muito bom –, eu me dei conta, mais uma vez, de como a mente coletiva humana é falha. Dessa vez, entretanto, eu resolvi escrever sobre o assunto.

Por partes: não sou exatamente psicólogo, mas percebo que é possível extrapolar os limites da mente individual para grupos cada vez maiores, diminuindo cada vez mais o conjunto de características que se repetem pelos indivíduos do grupo de maneira geral, criando então essa noção de "mente coletiva". Cada brasileiro, como indivíduo, é único em sua forma de pensar, mas não é difícil, via uma série de generalizações – ou, melhor dizendo, sinédoques – chegar a um comportamento que represente este país com o mínimo de erro individual.

E se tem uma característica que representa "povo" bem, é uma memória coletiva de se ter inveja de uma carpa. Existem vários fatores envolvidos, mas a maioria deles é inexplicável. Por exemplo, por alguma razão, quando um número qualquer de pessoas se reúne, o intelecto coletivo nunca é maior do que o menor intelecto individual da agregação. Ou seja: em geral multidões são burras, mas o assunto do texto atual é apenas uma consequência em especial deste fato: a memória do povo é curta. Alarmantemente curta.

Um fato que cimenta esta noção é que nossos políticos se reelegem a taxas alarmantes, e sob fatores absurdos. Antônio Carlos Magalhães, quando vivo(e isso nem é tanto tempo assim) esteve metido em escândalo atrás de escândalo e ainda assim foi governador três vezes seguidas. Depois senador, por dois mandatos. Sarney não foi nem de longe um de nossos melhores presidentes, e ainda assim é presidente do Senado. E se duvidar, se reelege nas próximas eleições. E, sinceramente, o que o Fernando Collor ainda está fazendo na política?

Como se vê, esquecemos as falcatruas e erros "um pouco" fácil demais. O que nos leva a uma consequência igualmente alarmante desse fato: a atenção coletiva é igualmente ridícula. Voltando para a política, começou-se uma campanha de destituição do Sarney. Mesmo que apenas neste reduto ridiculamente restrito que é a internet, estava lançada. Eis que morre o Michael J. e, de uma hora para outra ninguém fala em mais nada. Os olhos do mundo se voltam para uma direção e esquecem aquilo que estavam a olhar antes com uma rapidez incrível. Verdade, o movimento foi retomado, mas o ritmo já havia sido perdido e, bem... foi em vão.

E não é só isso: minha impressão, observando os jornais, é que passamos de uma manchete bombástica para outra, com intervalos de manchetes derivadas. Passamos da gripe suína para a queda do AirFrance, de volta à Influenza A, morte de MJ, Sarney, gripe, Felipe Massa, gripe de novo... pulamos de um foco único para outro, e a cada tragédia, pânico e escândalo mais uma vez esquece-se "do que é que estávamos falando mesmo?" e a história parece se perder até a retrospectiva no final do ano.

Finalizo com um aviso sincero: ano que vem teremos eleições para presidente, governador e deputados. Façam um favor a este país e a si mesmos e prestem atenção no que estão fazendo. Eu sei, é difícil, a Influenza está à espreita, o Sarney está se livrando da forca e, vejam só, ano que vem é também ano de Copa! Mas exercite sua memória. Lembre-se em quem você não deve votar, e pare de reeleger os mesmos desastres políticos de sempre.

...Bah, a quem eu estou querendo enganar? Ano que vem torceremos pelo país(que provavelmente vai se mostrar uma decepção no esporte que nos foi consagrado) e mais uma vez votaremos só por obrigação. E mal. E o ciclo recomeça.

Aqui é Töpo Talpos. Pense, vote, e vote direito, por favor.