"Web 2.0" se tornou uma espécie de jargão com significado parafraseável como "divs flutuantes com bordas redondas, AJAX e gradientes em tons pastéis". Tá, a nova onde de design é exatamente, assim, mas a web 2.0 nasceu como um paradigma independente do design bonitão orkut-like. Não sei nem se devo culpar o orkut pelo design "aprazível" dessa nova web, mas... esse não é o assunto. O assunto é que, alguns anos mais tarde, vem aí o conceito de "Web 3.0".

Mas o que é Web 2.0, afinal?

Sim, claro. Web 2.0 não se resume a designs que fazem a página parecer um jardim de nuvens. Alguns dos principais pontos-chave da Web 2.0 são: comunidades, geração de conteúdo e aplicações web. Vamos por partes...

Comunidades não são restringidas às do orkut, Myspace e similares. Uma comunidade web é mais abrangente, e envolve qualquer serviço que permite a usuários interagirem com outros usuários e se relacionar com eles de acordo com vários critérios. Neste sentido, existem vários tipos de comunidades, temáticos ou não. O conceito chave aqui é relacionamento entre usuários.

Geração de conteúdo se caracteriza pela transformação do usuário e comsumidor de conteúdo gerado pelos webmasters em um gerador de conteúdo, sem que ele tenha um espaço e tecnologia próprios. Esta tendência é evidente na natureza de blogs e serviço de blogagem gratuitos, que permitem a usuários sem experiência de desenvolvimento web publicarem suas idéias por aí. Não que isso seja uma boa idéia pra começar, mas... é a tecnologia. Não pode parar!

E, finalmente, aplicações web e, como consequência "cloud computing"(computação em nuvem). A grande sacada da aplicação web é a desintegração do software à máquina, de forma que o usuário não perde o acesso a seus dados e configurações, não importa em que computador ele acesse o aplicativo. É lógico que nem tudo são flores, e o grande revés toma a forma de uma desgradável inacessibilidade no caso da falta de conexão à internet. Mas, em alguns casos, isso não é tanto um problema quanto uma consequência básica do serviço.

Mas nem tudo são flores, e a Web 2.0 conta com uma falha crucial: a fragmentação da rede. De forma geral, duas pessoas em duas redes sociais diferentes não se encontram, e um mesmo usuário em duas redes sociais se vê obrigado a duplicar suas informações. E, se a lei de Metcalf é correta – isso é, a fragmentação da rede tem impacto quadrático em seu tamanho total –, isso é bem ruim.

E vem aí...

Três-ponto-zero, se não deu pra ver A Web 3.0, portanto, tem um objetivo bastante simples: reduzir a fragmentação transferindo todos estes dados que são fragmentados em redes sociais para a world wide web em si. Como? Simples: cada pessoa teria seu próprio espaço, e lá estariam todas as informações. O plano, então, é usar XML para facilitar a indexação via máquinas de busca.

Okay, eu vou explicar o que é XML. Significa "eXtended Markup Language", e é semelhante à HTML, porém, como o nome indica, é extensível. Isso quer dizer, portanto, que a linguagem não está restrita a um conjunto fossilizado de tags. Tags, aliás, são "etiquetas" que definem limites do tipo <tag> e terminam com </tag>, que definem uma propriedade. <em> é usada para indicar ênfase, e <html> indica os limites de uma página. XML, portanto, pode usar tags definidas para descobrir qual parte da página é o nome do usuário, e qual é, por exemplo, uma lista de músicas preferidas.

Dessa forma, redes sociais se tornam obsoletas na medida em que a própria web se torna uma gigantesca rede social. Talvez seja uma ilusão de grandeza, mas eu diria que é uma ilusão prática, e com várias vantagens. A principal e mais óbvia delas é a abolição da necessidade de se estar inscrito em algum serviço para ter acesso a algum dado que foi submetido por um usuário dentro de uma rede social.

Conclusões

Há alguns problemas nessa abordagem, a começar com a disponibilização dos sites pessoais. Vejo uma miríade de ferramentas que possibilitariam aos usuários montar suas páginas sem ter que conhecer uma característica de XML, ou sequer saber o que diabos é isso. Mas isso também é uma leve ilusão esperançosa de minha parte...

A grande vantagem da Web 3.0, entretanto, é o caráter semântico. Existem outras pretensões no paradigma – incluindo a criação de nabvegação 3D, com páginas se estendendo "para dentro do monitor" –, mas o principal é a organização e subsequente publicação da informação.

Mas, é claro, a questão mais fundamental é: vai pegar? Teremos de esperar mais alguns anos e ver...

Fonte: Why you should have a Web Site (and other Web 3.0 issues)